Uso sem controle de corticoides preocupa médicos e eleva risco de glaucoma

A utilização de medicamentos à base de corticoides sem orientação médica tem acendido um alerta entre especialistas da área da saúde. O uso indiscriminado dessas substâncias, presentes em colírios, pomadas, comprimidos e outros tratamentos, pode aumentar significativamente o risco de glaucoma, doença que afeta o nervo óptico e pode causar perda irreversível da visão.

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A preocupação foi reforçada pelo presidente da Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG), Roberto Murad Vessani. Segundo ele, o problema já é considerado uma questão de saúde pública devido à facilidade de acesso aos medicamentos e ao hábito de muitas pessoas recorrerem à automedicação para tratar alergias, irritações oculares, sinusites e outras inflamações.

Estima-se que cerca de 1,7 milhão de brasileiros convivam com o glaucoma. A doença é mais comum após os 40 anos e sua incidência aumenta com o avanço da idade. Como não apresenta sintomas em muitos casos, o diagnóstico costuma ocorrer apenas quando parte da visão já foi comprometida.

Os corticoides podem dificultar a drenagem do líquido existente no interior dos olhos, provocando aumento da pressão intraocular. Quando essa pressão permanece elevada por longos períodos, pode causar danos permanentes ao nervo óptico.

Além dos riscos para a visão, o uso prolongado dessas medicações também pode provocar aumento da glicose no sangue, hipertensão, retenção de líquidos, ganho de peso, enfraquecimento ósseo e maior suscetibilidade a infecções.

Diante do cenário, a SBG, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP) encaminharam uma nota às autoridades sanitárias defendendo maior controle na venda de medicamentos com corticoides. As entidades sugerem medidas semelhantes às adotadas para antibióticos, cuja comercialização exige receita médica com retenção de via pela farmácia.

Os especialistas alertam ainda que crianças, idosos e pacientes que já possuem glaucoma estão entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos dessas substâncias. A recomendação é que pessoas em tratamento prolongado com corticoides realizem acompanhamento médico regular e monitoramento da pressão ocular para evitar complicações que possam comprometer a visão de forma definitiva.

 

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Fonte: Agência Brasil

		

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