Ceará lidera produção de calçados no Brasil e mira avanço em valor agregado

O Ceará consolidou em 2025 sua posição como principal força da indústria calçadista brasileira, alcançando a liderança nacional tanto na produção quanto nas exportações em volume. O desempenho reforça a importância do setor para a economia cearense, mas também evidencia um novo desafio: transformar a elevada capacidade produtiva em produtos de maior valor e rentabilidade no mercado internacional.

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Dados da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) mostram que o Estado fabricou 206,8 milhões de pares no ano passado, volume que representa 24,4% de toda a produção nacional. O resultado colocou o Ceará à frente do Rio Grande do Sul, com 193,4 milhões de pares, e de Minas Gerais, com 138,1 milhões.

No comércio exterior, o protagonismo também se confirmou. As empresas cearenses exportaram 32,6 milhões de pares em 2025, respondendo por 31,4% dos embarques brasileiros e assumindo a liderança nacional em volume exportado.

Apesar do avanço, o cenário muda quando o critério é faturamento. As exportações do Ceará renderam US$ 189,4 milhões, garantindo a segunda colocação no país. O Rio Grande do Sul permaneceu na liderança com US$ 457,6 milhões, reflexo da maior participação em segmentos de maior valor agregado.

A força da indústria calçadista cearense está concentrada principalmente nos polos de Sobral, Horizonte, Fortaleza, Quixadá e Juazeiro do Norte. Juntas, essas regiões respondem por mais de 96% da produção estadual. Sobral se destaca como o maior centro produtor de calçados do Brasil, com 123,8 milhões de pares fabricados em 2025, além de concentrar milhares de empregos e forte atuação no mercado externo.

Especialistas atribuem a liderança do Ceará a um processo de expansão iniciado há décadas, impulsionado pela tradição na manufatura do couro, pela atração de grandes indústrias e por políticas de incentivo que favoreceram a instalação de fábricas no Estado. Atualmente, o segmento representa cerca de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) industrial cearense e gera quase 70 mil empregos diretos.

Para economistas e representantes do setor, o desafio dos próximos anos será elevar a competitividade por meio da inovação, da qualificação da mão de obra e do fortalecimento das marcas locais. A meta é reduzir a dependência de produtos de menor preço e ampliar a participação em mercados mais rentáveis.

Além disso, empresários apontam a necessidade de melhorias na infraestrutura logística, especialmente nas rodovias que ligam os polos produtivos ao Porto do Pecém. A concorrência internacional, sobretudo dos fabricantes asiáticos, também é vista como um dos principais obstáculos para a manutenção do crescimento da indústria cearense.

Com a liderança consolidada em volume, o Ceará busca agora transformar sua força produtiva em maior faturamento, inovação e geração de riqueza para o Estado.

 

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Fonte: DN

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