Idosos ampliam presença no trabalho, mas ainda sofrem com exclusão
Idosos movimentam a economia e sustentam famílias, mas ainda enfrentam barreiras no mercado de trabalho, com poucas vagas, falta de políticas de diversidade geracional e desafios previdenciários.
A população idosa tem exercido um papel cada vez mais significativo na economia brasileira e mundial, seja pelo peso no consumo, seja pela permanência crescente no mercado de trabalho. No entanto, apesar do avanço da chamada economia prateada, segmento voltado a pessoas com mais de 50 anos, os dados revelam um cenário desafiador para quem deseja ou precisa seguir ativo profissionalmente.
>>>CLICK AQUI PARA SEGUIR O CANAL FOLHA DO VALE NO WHATSAPP<<<
Em 2024, o Ceará registrou fechamento de 4.149 postos de trabalho para pessoas com 50 anos ou mais, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). No mesmo período, 43.714 admissões ocorreram nessa faixa etária, mas a maioria (42.184) concentrou-se entre 50 e 64 anos. Acima dos 65 anos, foram apenas 1.530 vagas, sendo 1.172 ocupadas por homens e somente 358 por mulheres.
A permanência no mercado é impulsionada tanto por necessidade quanto por desejo de continuar produtivo. De acordo com o IBGE, 323 mil pessoas com mais de 60 anos seguem trabalhando no Ceará. Além disso, cerca de 25% dos lares do Estado têm um idoso como responsável financeiro, o que reforça a importância dessa população na sustentação familiar.
Experiência e propósito

A geógrafa e estudante de Psicologia Ana Cecy Braga Pontes, de 61 anos, é um exemplo de como muitos idosos encaram o trabalho como propósito de vida. Prestes a concluir a terceira graduação, ela planeja abrir um consultório de psicologia e ajudar outras pessoas no processo de autoconhecimento.
“Penso que estou na melhor época da minha vida. A vida é desafiadora, e eu gosto disso. Não saberia viver sem propósito”, afirma. Para ela, a convivência com colegas mais jovens nunca foi obstáculo: “Me relaciono bem com todos, e quando preciso, peço ajuda sem problemas, assim como também ajudo”.
Trabalho por necessidade

Para outros, permanecer ativo é uma obrigação financeira. O motorista José Hélio Leandro de Araújo, de 64 anos, mesmo aposentado, continua em dois turnos para sustentar a família. “Continuo trabalhando porque minha mulher teve que parar de atuar. Não é tarefa fácil, mas gosto de me sentir produtivo”, relata.
Apesar das dificuldades, ele vê valor no papel dos mais velhos no mercado. “O idoso tem experiência de vida e profissional, sabe se adaptar e ainda transmite conhecimento”, defende.

Falta de programas de inclusão
Especialistas apontam que, apesar da relevância dos idosos, o mercado de trabalho brasileiro ainda não está preparado para incluí-los. Pesquisa da PwC Brasil e da Fundação Getúlio Vargas mostra que 65% das empresas não possuem programas de diversidade geracional, e 86% sequer oferecem planos de carreira ou treinamentos para profissionais acima de 40 anos.
Para a professora Maria José Tonelli, da FGV, essa é uma falha que precisa ser corrigida: “As empresas devem se preparar, pois as pessoas vão trabalhar por mais tempo. É necessário investir em treinamento, reorganizar contratos e valorizar os mais experientes”.
Desafios previdenciários e consumo
Outro fator que prolonga a permanência é a previdência. Para o economista Raul Velloso, o déficit previdenciário pressiona os idosos a seguir trabalhando, já que a aposentadoria pode reduzir a renda em até 50%. O presidente do Corecon-CE, Wandemberg Almeida, defende políticas de empregabilidade, saúde preventiva e educação financeira para esse público.
Ele destaca ainda que a permanência dessa faixa etária gera benefícios econômicos. “O idoso consome, movimenta setores e contribui para a produtividade ao transmitir conhecimento às novas gerações”, avalia.
Informalidade em expansão
A dificuldade em garantir vagas no mercado formal também leva muitos idosos ao trabalho por aplicativos de transporte e entregas. Para o professor Giácomo Balbinotto Neto, da UFRGS, essa tendência alia necessidade de renda à busca por flexibilidade.
“Hoje, os idosos são digitalmente letrados e usam aplicativos como forma de complementar a aposentadoria, sem abrir mão da autonomia”, explica.
Uma transição inevitável
Com a queda na taxa de natalidade, atualmente 1,7 filho por casal, abaixo dos 2,1 necessários para reposição da população, a participação de idosos no mercado se torna cada vez mais necessária. “Menos jovens estão entrando no mercado, e a permanência dos mais velhos é fundamental”, afirma Maria José.
Apesar disso, persistem estereótipos e preconceitos que dificultam a inserção plena da população idosa. Para especialistas, superar o etarismo e investir em políticas de diversidade geracional será decisivo para um futuro do trabalho mais inclusivo e sustentável.
SIGA-NOS NO INSTRAGRAM E FIQUE POR DENTRO DAS ÚLTIMAS NOTICIAS
Fonte: DN



