Morre Cacá Diegues, ícone do Cinema Novo e imortal da Academia Brasileira de Letras
O cinema brasileiro perdeu um de seus maiores expoentes. O cineasta Cacá Diegues faleceu na madrugada desta sexta-feira, 14 de fevereiro, no Rio de Janeiro, aos 84 anos. Ele iria se submeter a uma cirurgia, mas, segundo a Clínica São Vicente, sofreu complicações cardiocirculatórias durante a madrugada.
O velório será realizado na manhã deste sábado, 15, na Academia Brasileira de Letras (ABL), instituição da qual era membro desde 2018. Em seguida, o corpo do diretor será cremado no Caju.
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Uma trajetória de impacto no cinema
Nascido em Maceió, em 19 de maio de 1940, Carlos José Fontes Diegues mudou-se para o Rio de Janeiro aos seis anos, onde cresceu no bairro de Botafogo, Zona Sul da cidade. Sua paixão pelo cinema o levou a se tornar um dos principais nomes do movimento Cinema Novo, ao lado de Glauber Rocha, Leon Hirszman e Joaquim Pedro de Andrade.
Ao longo de sua carreira, dirigiu mais de 20 filmes de grande relevância, incluindo clássicos como Xica da Silva (1976), Bye Bye Brasil (1980), Tieta do Agreste (1995) e Deus é Brasileiro (2003). Sua obra explorou a cultura e as contradições do Brasil, sendo reconhecida internacionalmente.
Outros títulos marcantes incluem Ganga Zumba (1964), Joanna Francesa (1973), Quilombo (1984), Orfeu (1999) e O Grande Circo Místico (2018), inspirado na obra do poeta Jorge de Lima. Em 2012, foi homenageado no Grande Prêmio de Cinema Brasileiro, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.
Homenagens e legado
Além de suas contribuições ao cinema, Cacá Diegues também foi celebrado pelo carnaval carioca. Em 2016, a escola de samba Inocentes de Belford Roxo desfilou com o enredo Cacá Diegues — Retratos de um Brasil em cena, uma homenagem emocionante ao diretor, que participou do desfile e definiu a experiência como um “grande encontro familiar”.
Em 2018, foi eleito para a Cadeira 7 da Academia Brasileira de Letras, sucedendo o também cineasta Nelson Pereira dos Santos. Antes dele, a cadeira foi ocupada por nomes como Euclides da Cunha e Dinah Silveira de Queiroz.
Família e despedida
Cacá Diegues era casado desde 1981 com a produtora de cinema Renata Almeida Magalhães e deixa quatro filhos, dois deles do casamento com a cantora Nara Leão, além de três netos.
O Brasil se despede de um dos seus maiores cineastas, cuja obra continuará a inspirar gerações e a contar as histórias do país com sensibilidade e profundidade.
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Fonte: G1




