Vacinas, IA e novos tratamentos ampliam esperança no combate ao câncer
Os avanços mais recentes da oncologia indicam uma nova fase na luta contra o câncer. Em vez de uma única descoberta revolucionária, pesquisas apresentadas na 61ª reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), realizada em Chicago (EUA), revelaram uma combinação de estratégias promissoras que inclui vacinas personalizadas, novos medicamentos, atividade física, reposicionamento de remédios já conhecidos e o uso da inteligência artificial para acelerar diagnósticos e tratamentos.
>>>CLICK AQUI PARA SEGUIR O CANAL FOLHA DO VALE NO WHATSAPP<<<
Durante o congresso, um dos destaques foi a apresentação de um novo medicamento para câncer de pâncreas, considerado um dos tumores mais agressivos e de pior prognóstico. O daraxonrasibe demonstrou capacidade de quase dobrar a sobrevida dos pacientes em comparação com a quimioterapia convencional, resultado considerado histórico por especialistas.
A nova terapia atua sobre alterações no gene RAS, presente em cerca de um terço dos tumores humanos. Durante décadas, esse alvo foi considerado praticamente impossível de ser tratado, tornando o avanço uma das maiores expectativas da oncologia nos últimos anos.
Outra frente que chamou a atenção dos pesquisadores foi o desenvolvimento de vacinas personalizadas contra o câncer. Baseada na mesma tecnologia de RNA mensageiro utilizada nas vacinas contra a Covid-19, a estratégia consiste em analisar o material genético do tumor removido por cirurgia e produzir uma vacina exclusiva para cada paciente, estimulando o sistema imunológico a identificar e destruir células cancerígenas remanescentes.
Os resultados mais avançados foram obtidos em pacientes com melanoma de alto risco. Após cinco anos de acompanhamento, aqueles que receberam a vacina experimental Intismeran associada à imunoterapia apresentaram redução significativa no risco de retorno da doença ou de morte. Cerca de 69% permaneceram livres do câncer durante o período analisado. A tecnologia também está sendo avaliada para tumores de pulmão, pâncreas e bexiga.
Os estudos apresentados mostraram ainda que medidas simples podem produzir impactos importantes. A pesquisa internacional CHALLENGE concluiu que pacientes operados de câncer de intestino que participaram de programas estruturados de atividade física tiveram menor risco de recidiva e maior sobrevida do que aqueles que receberam apenas orientações gerais de saúde. Os benefícios foram comparáveis aos alcançados por alguns medicamentos utilizados atualmente.
Outro destaque foi o reposicionamento de medicamentos já disponíveis no mercado. Pesquisadores observaram que baixas doses de aspirina reduziram pela metade o risco de retorno do câncer de intestino em pacientes com características genéticas específicas. Já o medicamento abemaciclibe, inicialmente desenvolvido para câncer de mama, tornou-se o primeiro tratamento eficaz contra um tipo raro e agressivo de sarcoma ao atuar sobre a mesma alteração biológica presente nas duas doenças.
A inteligência artificial também ganhou protagonismo na conferência. As ferramentas estão sendo utilizadas para analisar grandes volumes de dados, identificar mutações genéticas, selecionar pacientes com maior probabilidade de resposta aos tratamentos e acelerar o desenvolvimento de terapias personalizadas. O tema recebeu espaço exclusivo na programação da ASCO, refletindo sua crescente importância na medicina.
Para os especialistas, os resultados apresentados demonstram que o combate ao câncer passa por uma transformação marcada pela integração de diferentes estratégias. A expectativa é de que a combinação entre inovação tecnológica, medicina personalizada e abordagens acessíveis amplie as chances de prevenção, tratamento e sobrevivência dos pacientes nos próximos anos.
SIGA-NOS NO INSTRAGRAM E FIQUE POR DENTRO DAS ÚLTIMAS NOTICIAS
Fonte: G1


