Ceará se prepara para cultivar pistache e transformar o mercado nacional
O pistache, uma das sementes mais valorizadas no mercado mundial, pode ser cultivado pela primeira vez no Brasil, especificamente na Serra da Ibiapaba, no noroeste cearense. A Embrapa Agroindústria Tropical lidera estudos para viabilizar a produção da oleaginosa no Estado, cuja demanda interna cresce a cada ano.
Gustavo Saavedra, chefe-geral da Embrapa, explica que o pistache, originário de regiões da Ásia Menor como Irã, Síria e Turquia, exige um clima temperado com estações bem definidas e invernos frios, necessários para o ciclo de hibernação da planta. Apesar de a Serra da Ibiapaba não apresentar temperaturas tão baixas, estudos indicam que o pistache pode se adaptar ao clima tropical, a exemplo de outras frutas secas cultivadas em condições semelhantes.
A iniciativa partiu da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec), inspirada pela produção californiana, que apresenta solos e clima compatíveis com os da região nordeste brasileira. “Precisamos confirmar se haverá dias de frio suficientes para induzir a floração das árvores. Há desafios tecnológicos que precisam ser superados para viabilizar o cultivo”, ressalta Saavedra.
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Impacto no mercado e competitividade
Caso a produção local se concretize, o pistache pode se tornar mais acessível ao consumidor brasileiro. Atualmente, a comercialização depende integralmente da importação, o que torna os preços vulneráveis às flutuações do dólar. Recentemente, o quilo da semente foi vendido a uma média de R$ 120 na Ceasa, refletindo o impacto da moeda norte-americana, que ultrapassou R$ 6,20.
Odálio Girão, analista de mercado da Ceasa, aponta que a produção local não apenas reduz os custos, mas também cria oportunidades para exportação. “A proximidade com o mercado produtor pode baratear os preços e transformar o Ceará em exportador de pistache para outros estados e até mesmo países”, avalia.
Para Francisco José Tabosa, professor de Economia Agrícola da Universidade Federal do Ceará (UFC), o projeto oferece uma vantagem competitiva significativa ao Estado, que pode se tornar pioneiro no fornecimento interno. “Com a falta de concorrência local, o mercado cearense pode monopolizar a venda no Brasil. Já no mercado externo, a exportação dependerá da competitividade frente a produtores como Irã e EUA”, explica.

Avanços nos estudos e perspectivas
A concretização do projeto depende da importação de material genético dos Estados Unidos, país com maior compatibilidade em termos de clima e solo. Gustavo Saavedra detalha que o processo de importação, conduzido pelo Ministério da Agricultura, deve durar cerca de um ano, seguido de seis meses de quarentena. Somente após essa etapa, será possível iniciar os testes de adaptação.
“É um processo de longo prazo, semelhante ao cultivo do cajueiro e da mangueira. Se tudo correr bem, a primeira safra experimental será colhida entre 2035 e 2040, com a perspectiva de cultivos comerciais iniciando logo após”, projeta Saavedra.
Com importações crescentes de pistache nos últimos anos – que, em 2024, somaram mais de 970 toneladas e movimentaram R$ 13,9 milhões –, a produção local não só representa uma nova alternativa de renda para o Estado, mas também reforça o potencial do Ceará no agronegócio de frutas secas.
Importância do pistache para a saúde
O pistache, ou pistachio, é uma oleaginosa que oferece muitos benefícios à saúde, como ajudar no controle da diabetes, promover a perda de peso, diminuir a pressão arterial e prevenir doenças graves, como infarto, aterosclerose e até câncer.
Esses benefícios se devem à presença de grandes quantidades de antioxidantes, além de ser uma excelente fonte de proteínas, fibras, gorduras saudáveis, minerais e vitaminas.
O fruto é protegido por uma casca dura, e sua polpa verde-amarelada pode ser consumida ao natural ou torrada como aperitivo. Versátil, o pistache também compõe preparações culinárias diversas, como brigadeiros, bolos, sorvetes e saladas.
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Fonte: DN



