Redução na conta de luz em janeiro beneficia 78 milhões de brasileiros

Neste mês de janeiro, cerca de 78,3 milhões de consumidores brasileiros serão beneficiados com um desconto especial na conta de energia elétrica, graças a uma iniciativa promovida pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e anunciada pelo Ministério de Minas e Energia (MME). A medida utiliza um bônus financeiro gerado pela comercialização da energia da hidrelétrica Itaipu Binacional e tem como objetivo aliviar os custos dos consumidores residenciais e rurais.

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O “bônus Itaipu” consiste na distribuição de um saldo positivo de R$ 1,3 bilhão, referente ao desempenho da usina ao longo de 2023. Com isso, os consumidores que atenderem aos critérios estabelecidos terão um desconto que pode variar de R$ 16,66 até R$ 49 na fatura de janeiro. Para se qualificar, é necessário que o consumo de energia tenha sido inferior a 350 quilowatts-hora em pelo menos um mês do ano passado.

A distribuição desse bônus se deu a partir de um saldo residual de R$ 399 milhões, acrescido de R$ 842 milhões correspondentes a valores não utilizados em 2020 e 2021, destinados às distribuidoras de energia para mitigar os efeitos da pandemia e da crise hídrica. Além disso, mais R$ 65 milhões foram acumulados em rendimentos financeiros até setembro de 2024, totalizando o montante atual.

A empresária Rose Dibiasi, residente em Cascavel, no Paraná, comemorou a iniciativa. Segundo ela, o início de ano traz uma série de despesas adicionais, e qualquer alívio é bem-vindo. “A gente sempre pensa em como vai começar o ano com tantas contas e impostos, então esse desconto chegou na hora certa. Vai ser muito bom para o nosso orçamento familiar”, afirmou Dibiasi.

Outro fator que contribui para a redução das contas de luz é a manutenção da bandeira tarifária verde, vigente desde dezembro de 2024. De acordo com a Aneel, essa bandeira continuará em vigor durante todo o mês de janeiro de 2025. O sistema de bandeiras tarifárias reflete o custo de geração de energia no país: quando os níveis dos reservatórios estão elevados, a energia é gerada prioritariamente por hidrelétricas, que possuem um custo mais baixo.

Por outro lado, em períodos de estiagem, o acionamento das termelétricas se torna necessário, elevando os custos de produção de energia e, consequentemente, as tarifas cobradas dos consumidores. No segundo semestre de 2024, por exemplo, a seca afetou os reservatórios, levando à adoção das bandeiras vermelha e amarela por três meses consecutivos. Em setembro, a bandeira vermelha patamar 1 adicionou R$ 4,46 a cada 100 kWh consumidos, enquanto em outubro, a bandeira vermelha patamar 2 elevou esse valor para R$ 7,87. Em novembro, a bandeira amarela acrescentou R$ 1,88 por 100 kWh.

Segundo o consultor de transição energética Marcelo Brandt, o uso das termelétricas eleva significativamente os custos devido ao preço dos combustíveis utilizados, como diesel e gás natural. “Ao acionar mais termelétricas, o sistema elétrico passa a incorporar esses custos na conta final dos consumidores”, explicou Brandt.

O consultor reforçou ainda a importância de adotar hábitos de consumo consciente, tanto para reduzir os custos individuais quanto para contribuir com a sustentabilidade do planeta. “Economizar energia ajuda a preservar os recursos naturais e reduz a necessidade de acionar fontes de energia mais caras e poluentes”, concluiu.

 

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