Dom Edmilson da Cruz celebra 60 anos de ordenação episcopal aos 102 anos

 

Bispo emérito de Limoeiro do Norte, Dom Manuel Edmilson da Cruz alcança o Jubileu de Diamante do episcopado com uma trajetória marcada pelo serviço à Igreja, à defesa dos direitos humanos e à justiça social

 

 A Igreja celebra nesta sexta-feira, 6 de novembro, os 60 anos de ordenação episcopal de Dom Manuel Edmilson da Cruz, bispo emérito de Limoeiro do Norte, no Ceará. Aos 102 anos de idade, o religioso alcança o Jubileu de Diamante de seu episcopado, uma trajetória de seis décadas dedicada à missão pastoral, à defesa da dignidade humana e ao compromisso com os mais vulneráveis.

>>>CLICK AQUI PARA SEGUIR O CANAL FOLHA DO VALE NO WHATSAPP<<<

Natural de Aranaú, distrito de Acaraú, no litoral cearense, Dom Edmilson nasceu em 3 de outubro de 1924 e foi ordenado bispo em 6 de novembro de 1966, em Sobral, após ser nomeado pelo papa São Paulo VI. Ao longo de sua caminhada na Igreja, exerceu o ministério episcopal em São Luís do Maranhão e Fortaleza, além de ter assumido a Diocese de Limoeiro do Norte como bispo diocesano entre 1994 e 1998.

Sua atuação ultrapassou os limites da missão religiosa. A defesa dos direitos humanos, da justiça social e da dignidade dos trabalhadores tornou-se uma das marcas de sua trajetória. Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu em dezembro de 2010, quando recusou a Comenda de Direitos Humanos Dom Hélder Câmara, concedida pelo Senado Federal. A decisão foi uma manifestação de protesto contra o aumento de 61,8% nos salários dos parlamentares, aprovado pelo Congresso Nacional naquele período.

Ao justificar sua posição, Dom Edmilson chamou a atenção para as desigualdades sociais e para as dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores brasileiros, contrapondo os reajustes concedidos aos representantes políticos às reivindicações por melhores salários e condições de vida da população. O gesto ganhou repercussão nacional e reforçou seu posicionamento público em defesa da justiça social.

Essa postura também se manifesta em sua participação em mobilizações sociais. Em 9 de outubro de 2024, Dom Edmilson esteve em Fortaleza, ao lado de representantes de movimentos populares, entidades sindicais e instituições, em um ato realizado em frente ao Fórum Clóvis Beviláqua, durante o julgamento de um dos envolvidos no assassinato de José Maria Filho (Zé Maria do Tomé).

Entre os presentes estavam o padre Marcos; Reginaldo, representante do Movimento 21; Hildebrando Soares, reitor da Universidade Estadual do Ceará (Uece); e o jornalista Melquíades Júnior. Também participaram Branquinha, viúva de Zé Maria do Tomé, acompanhada dos filhos Gabriel, Márcia Xavier e Juliani, além de representantes de organizações e movimentos sociais que acompanhavam o julgamento. A mobilização reivindicava justiça pelo assassinato do agricultor e ambientalista, ocorrido em 21 de abril de 2010, na comunidade de Tomé, em Limoeiro do Norte.

Zé Maria do Tomé ficou conhecido por denunciar a pulverização aérea de agrotóxicos na Chapada do Apodi e a grilagem de terras públicas no Perímetro Irrigado Jaguaribe-Apodi. O ativista foi morto com 25 disparos de arma de fogo. O julgamento realizado em Fortaleza terminou com a condenação de Francisco Marcos Lima Barros a 16 anos de prisão, por sua participação no crime.

O lema episcopal de Dom Edmilson, Verbum caro factum (A Palavra se fez carne), sintetiza uma missão pautada na vivência do Evangelho e no compromisso com o povo de Deus. Sua história reúne a dedicação ao ministério religioso e a participação em questões sociais que marcaram diferentes períodos da realidade cearense e brasileira.

Para celebrar os 60 anos de ordenação episcopal, a Arquidiocese de Fortaleza organizou uma programação especial, com atividades religiosas, culturais e solidárias. O ponto alto ocorre nesta sexta-feira, 6 de novembro, com uma missa jubilar às 18h15, no Santuário Arquidiocesano de Adoração, a Igreja de São Benedito, no Centro de Fortaleza.

Ao alcançar o Jubileu de Diamante, Dom Manuel Edmilson da Cruz tem sua trajetória reconhecida por diferentes gerações de fiéis e por instituições que acompanham sua caminhada. São seis décadas de episcopado que ultrapassam o exercício das funções religiosas e registram um testemunho público de compromisso com a fé, a dignidade humana e a justiça social.

 

SIGA-NOS NO INSTRAGRAM E FIQUE POR DENTRO DAS ÚLTIMAS NOTICIAS

 

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *