Nordeste reúne condições para liderar a transformação digital no Brasil, aponta estudo

O Nordeste reúne características que podem favorecer sua participação na expansão da economia digital brasileira, especialmente na instalação de data centers, no desenvolvimento tecnológico e na produção de inovação. A avaliação é do governador do Piauí, Rafael Fonteles, apresentada no estudo Nordeste Digital: um projeto de futuro, uma entrega ao Brasil, elaborado pelo Banco Mundial para o Consórcio Nordeste.

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Ao apresentar o documento, Fonteles afirmou que a região está preparada para assumir um papel de destaque na transformação digital do país, com responsabilidade ambiental, planejamento estratégico e compromisso com a inclusão social. Entre os diferenciais apontados estão a capacidade de geração de energia renovável, a localização geográfica e a disponibilidade de profissionais qualificados.

O governador assina o editorial do estudo, produzido durante sua gestão à frente do Consórcio Nordeste, fórum que reúne os governadores dos nove estados da região e cuja presidência é exercida em sistema de rodízio.

Na avaliação de Fonteles, a matriz energética nordestina, com forte presença das fontes eólica e solar, oferece condições competitivas para atrair investimentos em data centers, infraestrutura digital e indústrias de base tecnológica. A localização geográfica também é apontada como uma vantagem para conectar o território brasileiro aos principais fluxos internacionais de dados.

Outro diferencial destacado pelo governador é a formação de profissionais. Ele cita o crescimento do interesse dos jovens por tecnologia, ciência, inovação e empreendedorismo, além da atuação de universidades, institutos federais, centros de pesquisa e startups.

Para Fonteles, essa combinação permite que o Nordeste avance não apenas como consumidor de tecnologia, mas também como produtor de conhecimento, desenvolvimento de soluções e serviços especializados.

O governador acrescenta que a transformação digital já modifica as relações de trabalho, a produção, a educação e a prestação de serviços públicos. Nesse cenário, considera que a capacidade de adaptação e inovação da população nordestina pode contribuir para um novo ciclo de desenvolvimento econômico e social.

 

Pilar da economia digital

O estudo do Banco Mundial aponta que o Nordeste reúne condições para ampliar sua participação na economia digital brasileira. A proposta apresentada pelo Consórcio Nordeste está organizada em cinco eixos: infraestrutura digital, serviços públicos inteligentes, capital humano, governança institucional e inovação produtiva.

Segundo Rafael Fonteles, os eixos representam uma estratégia conjunta dos nove estados para associar desenvolvimento econômico sustentável à inclusão social, à redução das desigualdades e à ampliação das oportunidades em diferentes territórios.

Na área de infraestrutura, o documento destaca o potencial de geração de energia eólica, a existência de mais de 15 cabos submarinos de conexão internacional que chegam a Fortaleza e a estrutura do Cinturão Digital, mantido pela Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (Etice).

O levantamento também informa que a região recebeu investimentos superiores a R$ 8 bilhões em redes de fibra óptica entre 2020 e 2024 e conta com mais de 50 mil escolas conectadas à internet de alta velocidade.

Em relação aos data centers, o relatório menciona o anúncio de investimentos superiores a R$ 10 bilhões pela Amazon Web Services (AWS) para implantação de estruturas sustentáveis abastecidas por energia eólica.

De acordo com o estudo, o uso de fontes renováveis pode reduzir entre 40% e 50% os custos operacionais dessas instalações, em comparação com regiões que dependem de fontes térmicas. O documento também aponta que sistemas de resfriamento adaptados às condições locais podem diminuir em até 40% o consumo de energia.

 

Cooperação internacional

Rafael Fonteles destacou a parceria entre o Consórcio Nordeste e o Banco Mundial na elaboração do documento. A cooperação foi formalizada em 2023, por meio de um Memorando de Entendimento (MoU), com o objetivo de ampliar o intercâmbio técnico e institucional.

Na avaliação do governador, a participação do organismo internacional contribui para fortalecer o planejamento dos estados, facilitar a mobilização de recursos e aproximar as políticas públicas regionais de experiências e práticas adotadas em outros países.

Fonteles também considera que o estudo oferece referências para decisões estratégicas, investimentos conjuntos e elaboração de políticas públicas integradas entre os governos estaduais.

Ao abordar a relação com o Governo Federal, o governador defendeu que o Nordeste seja reconhecido como parceiro estratégico na construção de uma política nacional de transformação digital, considerando as características e necessidades de cada território.

O documento, segundo ele, representa uma proposta de desenvolvimento que associa tecnologia à inclusão, à cidadania, à geração de oportunidades e à valorização da população nordestina.

Ao concluir sua apresentação, Rafael Fonteles defendeu que o estudo seja utilizado como ponto de partida para ampliar a cooperação entre os estados, atrair investimentos e estimular a inovação, com reflexos não apenas para o Nordeste, mas também para o desenvolvimento tecnológico do Brasil.

O estudo foi produzido por Raimundo Nogueira da Costa Filho, Luciano Charlita de Freitas, Julian Najles e Luis Alberto Andrés.

 

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Por Flamínio Araripe

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