Inteligência artificial auxilia na resolução de 292 casos policiais em Fortaleza

O uso de câmeras integradas a um sistema de inteligência artificial auxiliou as forças de segurança do Ceará na resolução de 292 casos em Fortaleza, entre 17 de agosto e 17 de outubro de 2026. Os resultados incluem prisões, recuperação de veículos roubados e localização de pessoas desaparecidas. A tecnologia também contribuiu para o trabalho de investigação e patrulhamento em 26 unidades das polícias Militar e Civil.

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Entre as ocorrências com natureza identificada, os roubos lideram, representando 34% dos registros. Em seguida, aparecem homicídios, incluindo tentativas, com 16%, e tráfico de drogas, com 15%. Também foram contabilizados casos de furto (9%), crimes sexuais (5%) e violência doméstica (2%).

As prisões civis por falta de pagamento de pensão alimentícia correspondem a 26% dos casos cuja natureza foi identificada. Os percentuais podem incluir registros associados a mais de um tipo de ocorrência.

Ao todo, 26 unidades das polícias Militar e Civil obtiveram resultados com o apoio da ferramenta, que auxilia tanto as ações de patrulhamento quanto as investigações policiais.

 

Sistema identificou homem com mandado de prisão na Praia do Meireles

Um dos casos ocorreu na tarde de 7 de setembro, na Praia do Meireles, em Fortaleza. Em meio à grande movimentação de pessoas, o sistema de inteligência artificial identificou um homem procurado pela Justiça e emitiu um alerta automático às forças de segurança.

O suspeito tinha mandado de prisão em aberto por regressão de regime e histórico relacionado a crimes como furto, receptação e tráfico de drogas. A identificação ocorreu pelo cruzamento de imagens captadas pelas câmeras com informações de bases de dados utilizadas pelas forças policiais, sem que fosse necessária uma busca prévia direcionada ao homem.

Após receber o alerta, policiais militares foram ao local e tentaram realizar a abordagem. O homem entrou no mar na tentativa de escapar. Uma aeronave da Polícia Militar foi acionada e conseguiu localizá-lo enquanto nadava. Ele foi detido e levado à delegacia para o cumprimento da ordem judicial.

O episódio demonstra como a integração entre o monitoramento por inteligência artificial e a atuação das equipes policiais pode contribuir para a localização de pessoas procuradas em locais de grande circulação.

 

Tecnologia já conta com 400 câmeras na Capital

Antes da operação em Fortaleza, a tecnologia foi testada no Ceará durante a ExpoCrato, ocasião em que 19 pessoas foram presas com o auxílio da ferramenta.

Na Capital, o sistema conta atualmente com 400 câmeras inteligentes, cujas imagens são cruzadas com outras informações disponíveis ao Estado para auxiliar o trabalho das forças de segurança.

A iniciativa é resultado de uma parceria entre o Governo do Ceará e a Pax, empresa brasileira especializada em inteligência artificial aplicada à segurança pública. O teste foi formalizado por meio do Acordo de Cooperação Técnica nº 006/2026, firmado com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS).

Durante o período de operação previsto no acordo, os custos são assumidos pela empresa, sem despesas para o poder público.

A plataforma é operada por policiais, enquanto os dados permanecem sob a custódia do Estado e são armazenados no Brasil. Segundo as informações divulgadas sobre o projeto, todas as consultas são registradas e podem ser auditadas. A empresa afirma que não tem acesso às bases de dados dos cidadãos e informa possuir certificação ISO/IEC 27001:2022, norma internacional voltada à gestão da segurança da informação.

 

Inteligência artificial amplia possibilidades de investigação

A ferramenta permite organizar e cruzar grandes volumes de informações para gerar alertas que auxiliam os policiais na identificação de suspeitos e na apuração de crimes.

Além de consultas relacionadas a placas de veículos e reconhecimento facial, a plataforma possibilita buscas a partir de outras informações disponíveis no sistema, ampliando os recursos utilizados pelas equipes de segurança.

A tecnologia funciona como apoio ao trabalho policial, transformando dados e imagens em informações que podem orientar diligências e abordagens.

 

Sobre a Pax

A Pax é uma empresa brasileira fundada em 2024 por David Peixoto, Phyllipe Medeiros e Fernando Czapski, com atuação no desenvolvimento de soluções de inteligência artificial para a segurança pública.

Segundo a empresa, sua plataforma cruza informações disponíveis ao Estado, como imagens de câmeras, boletins de ocorrência, mandados de prisão e dados de veículos, para identificar padrões e fornecer informações às forças policiais. As decisões operacionais permanecem sob responsabilidade dos agentes públicos.

A companhia informa reunir profissionais com formação em instituições como Stanford, MIT, Harvard, Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e Universidade de São Paulo (USP), além de atuar em cerca de 200 municípios brasileiros.

 

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Por Eduardo Buchholz – AD2M Comunicação 

 

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