Estiagem reduz produção de mel e eleva preço para consumidores no Vale do Jaguaribe

A produção de mel enfrenta um período de forte retração no Vale do Jaguaribe, onde a prolongada falta de chuvas reduziu a atividade das colmeias e deixou pequenos apicultores sem produto para comercialização. A menor oferta já repercute no mercado regional e fez o preço do quilo do mel puro chegar a R$ 40 em Russas.

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O cenário é atribuído principalmente às condições climáticas adversas registradas desde o último período de estiagem. As altas temperaturas e a ausência prolongada de chuvas comprometeram a sobrevivência e a capacidade produtiva das colônias, afetando diretamente criadores que dependem da atividade para geração de renda.

O apicultor Adelino Sousa relata que aproximadamente 80% dos criadores tiveram perdas durante o período mais crítico. Segundo ele, neste ciclo apenas uma parcela das abelhas conseguiu retornar às colmeias, mas os enxames remanescentes ainda não apresentaram capacidade suficiente para recuperar a produção.

Com a redução da oferta, os produtores de menor escala são os mais afetados. Conforme o relato do apicultor, os criadores que mantêm uma produção regular atualmente são, principalmente, aqueles que possuem estruturas maiores e conseguiram preservar parte das colmeias.

A dificuldade também alcança a comercialização fora da região. As exportações de mel do Ceará registraram queda de aproximadamente 80% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025. No Vale do Jaguaribe, municípios como Russas, Limoeiro do Norte, Palhano e Itaiçaba integram uma área onde a apicultura tem participação na economia rural.

Além da redução da produção, a atividade enfrenta aumento dos custos e dificuldades para atender contratos durante o período de maior procura pelo produto. A menor disponibilidade de mel também impõe aos produtores a necessidade de preservar as colmeias restantes para evitar perdas ainda maiores no próximo ciclo.

 

Programa de apoio à apicultura

Diante das dificuldades enfrentadas pelo setor, tramita na Assembleia Legislativa do Ceará uma proposta para criar a Política Estadual de Salvaguarda e Auxílio Emergencial à Apicultura e Meliponicultura (PESAM), denominada Programa Antônio Saraiva Landim.

A proposta prevê medidas de apoio para até 10 mil apicultores familiares e pequenos produtores, além da meta de preservar pelo menos 90% das colmeias durante os períodos mais críticos de estiagem.

Para os pequenos criadores, a recuperação da atividade depende diretamente das condições climáticas e da capacidade de recomposição dos enxames. A expectativa do setor é de melhora com o retorno das chuvas e a retomada da florada, prevista para o próximo ciclo chuvoso.

Até que isso ocorra, a menor oferta deve continuar pressionando os preços e afetando tanto os produtores quanto os consumidores de mel na região.

 

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Fonte: Baixo Jaguaribe

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