Desemprego recua a 5,4% no Brasil, mas Ceará fica acima da média nacional

 O mercado de trabalho brasileiro apresentou um cenário mais favorável no segundo trimestre de 2026, com redução do desemprego e queda no número de pessoas que permanecem longos períodos à procura de uma vaga. Os dados divulgados nesta sexta-feira, 14 de agosto, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram, porém, que o desempenho não foi uniforme entre os estados. O Ceará, por exemplo, registrou resultado pior que a média do país.

Entre abril e junho, a taxa de desocupação nacional ficou em 5,4%, contra 6,1% no trimestre anterior. Em um ano, também houve melhora: o indicador estava em 5,8% no segundo trimestre de 2025. A redução trimestral ocorreu em 13 das 27 unidades da Federação, enquanto nas demais não houve variação significativa.

O Ceará apresentou taxa de 6,6%, ficando 1,2 ponto percentual acima do resultado nacional. O estado não aparece entre as unidades que tiveram queda estatisticamente significativa no desemprego no período.

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Santa Catarina tem menor desemprego

A diferença entre os estados é um dos principais pontos destacados pela pesquisa. Santa Catarina registrou a menor taxa do país, com 2,1%, seguida por Mato Grosso (2,2%), Espírito Santo (2,3%), Rondônia (2,6%) e Mato Grosso do Sul (2,7%). Em cinco estados, portanto, o desemprego ficou abaixo de 3%.

Na outra ponta, o Amapá apresentou o maior índice, de 9,8%, seguido por Bahia (9,1%), Pernambuco e Piauí (8,3% cada) e Sergipe (7,9%).

Segundo o analista da pesquisa, William Kratochwill, as diferenças estão relacionadas a fatores como estrutura industrial, comportamento da economia e nível de escolaridade da população. A região Sul, por exemplo, apresenta indicadores de ocupação mais favoráveis que estados das regiões Norte e Nordeste.

Os maiores recuos entre o primeiro e o segundo trimestre foram registrados no Rio Grande do Norte (-1,9 ponto percentual), Paraíba e Acre (-1,6 p.p. cada), Tocantins (-1,5 p.p.) e Alagoas (-1,3 p.p.).

 

Mulheres e população preta e parda enfrentam maior desocupação

A melhora do indicador nacional não eliminou as diferenças entre os grupos da população. Entre os homens, o desemprego ficou em 4,6%, enquanto alcançou 6,4% entre as mulheres.

O recorte por cor ou raça também mostra desigualdade. A taxa foi de 4,2% entre brancos, 6,9% entre pretos e 6,1% entre pardos. Como o Estatuto da Igualdade Racial considera população negra o conjunto formado por pessoas que se autodeclaram pretas e pardas, os dois últimos grupos apresentam índices superiores à média brasileira.

A escolaridade também interfere nas oportunidades. Pessoas com ensino médio incompleto apresentaram a maior taxa, de 9%. O índice caiu para 5,6% entre aqueles com superior incompleto e chegou a 3% entre os que concluíram o ensino superior.

Menos pessoas enfrentam desemprego prolongado

Outro dado positivo está relacionado ao tempo de procura por trabalho. Aproximadamente 1,06 milhão de brasileiros estavam há pelo menos dois anos tentando conseguir uma ocupação no segundo trimestre.

O contingente representa uma redução de 15,6% em relação ao mesmo período de 2025 e é o menor registrado pela série histórica da Pnad Contínua, iniciada em 2012.

A pesquisa também aponta que 37,4% dos trabalhadores estavam na informalidade. O Maranhão apresentou a maior proporção, com 56,9%, seguido por Pará (55,9%) e Amazonas (51,7%). Santa Catarina teve o menor percentual, de 25,4%.

O trabalho por conta própria correspondia a 25,3% da população ocupada. Maranhão (33,8%), Amapá (31%) e Pará (30,3%) tiveram as maiores proporções.

 

Renda média chega a R$ 3.738

O rendimento médio real mensal dos trabalhadores foi estimado em R$ 3.738. Apesar de ter ficado estatisticamente estável em relação ao trimestre anterior, quando estava em R$ 3.795, o valor cresceu frente aos R$ 3.635 registrados um ano antes.

A soma dos rendimentos recebidos pelos trabalhadores alcançou R$ 380,3 bilhões, acima dos R$ 367,1 bilhões contabilizados no segundo trimestre de 2025.

A Pnad Contínua considera a população de 14 anos ou mais e acompanha diferentes formas de inserção no mercado de trabalho. A pesquisa visita cerca de 211 mil domicílios nos estados e no Distrito Federal para acompanhar indicadores de emprego, desemprego, informalidade e renda.

 

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