Tarifaço dos EUA avança apesar de mais de 30 reuniões com o governo brasileiro

Mesmo após meses de negociações e mais de 30 encontros entre representantes dos dois países, os Estados Unidos mantiveram a decisão de impor uma tarifa adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros. A sobretaxa entra em vigor no próximo dia 22 de julho e amplia a tensão comercial entre Brasília e Washington, frustrando os esforços diplomáticos do governo brasileiro para evitar a medida.

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A decisão foi oficializada após a conclusão de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que acusa o Brasil de adotar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais norte-americanos. Entre os argumentos apresentados estão questionamentos ao sistema de pagamentos Pix, críticas ao combate insuficiente ao desmatamento ilegal, preocupações relacionadas à corrupção e decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo plataformas digitais.

Durante as negociações, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva promoveu uma intensa agenda diplomática. Segundo informações divulgadas, foram realizadas dezenas de reuniões em diferentes níveis, incluindo 11 encontros ministeriais com autoridades americanas e diversas tratativas técnicas. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, chegou a apresentar propostas para impedir a aplicação das tarifas, mas as iniciativas não obtiveram êxito.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rúbio, responsabilizou o governo brasileiro pelo fracasso das negociações. Em declaração publicada nas redes sociais, afirmou que o presidente Lula não teria negociado “de boa-fé” com as autoridades americanas, reforçando o posicionamento da administração do presidente Donald Trump.

Nem todos os produtos brasileiros, entretanto, serão atingidos pela nova cobrança. Permaneceram fora da sobretaxa itens estratégicos para a economia brasileira, como carne bovina, café, laranja e suco de laranja, petróleo bruto, gás natural, aeronaves civis, motores aeronáuticos, produtos farmacêuticos, semicondutores, mel orgânico, castanhas, celulose, ferro-gusa e determinados minérios considerados essenciais para cadeias produtivas dos Estados Unidos.

Por outro lado, setores industriais serão diretamente impactados. A tarifa de 25% incidirá sobre produtos como etanol, máquinas agrícolas, vestuário, calçados, maquinário elétrico, equipamentos de mineração, papel, açúcar orgânico, bens de capital, produtos químicos e diversos manufaturados. A cobrança valerá apenas para mercadorias embarcadas após 22 de julho.

O governo americano também sinalizou que poderá rever ou suspender a medida caso o Brasil adote mudanças em relação às práticas apontadas na investigação. Ao mesmo tempo, Washington advertiu que uma eventual resposta brasileira baseada no princípio da reciprocidade poderá provocar novas sanções comerciais, ampliando ainda mais o conflito entre as duas maiores economias do continente.

 

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