Estudo aponta R$ 1,3 bilhão em emendas sem autoria identificada na Câmara em 2025
PP, União Brasil, PL e Republicanos concentraram cerca de 95% dos R$ 1,3 bilhão em emendas registradas apenas em nome de líderes partidários. Segundo a Transparência Brasil, o mecanismo respondeu por 16% dos R$ 7,9 bilhões destinados por comissões da Câmara em 2025 e envolveu 1.341 indicações sem identificação dos deputados autores.
A utilização de emendas parlamentares sem identificação dos deputados responsáveis pela indicação dos recursos movimentou R$ 1,3 bilhão na Câmara dos Deputados em 2025. Levantamento da Transparência Brasil revela que os valores foram registrados apenas em nome de líderes partidários, sem informar quais parlamentares definiram o destino das verbas, mecanismo que, segundo a entidade, reproduz características do antigo orçamento secreto.
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De acordo com o estudo, o montante representa 16% dos R$ 7,9 bilhões destinados por meio das emendas de comissão (RP8) pela Câmara ao longo do ano. Ao todo, foram identificadas 1.341 indicações, entre 12.231 registros analisados, vinculadas exclusivamente às lideranças de sete partidos: PP, União Brasil, PL, Republicanos, Avante, Solidariedade e Podemos.
O PP aparece na liderança do volume de recursos associados ao mecanismo, com R$ 427,7 milhões, seguido pelo União Brasil, com R$ 288,7 milhões; PL, com R$ 254,3 milhões; Republicanos, com R$ 218,5 milhões; Avante, R$ 30 milhões; Solidariedade, R$ 22 milhões; e Podemos, R$ 19 milhões. Juntos, PP, União Brasil, PL e Republicanos concentram cerca de 95% do total identificado pela organização.
A Transparência Brasil afirma que os documentos públicos registram apenas o nome da liderança partidária como autora das indicações, impossibilitando identificar quais deputados escolheram os beneficiários finais dos recursos. Segundo a entidade, o padrão de distribuição das verbas reforça a hipótese de que diferentes parlamentares participaram das indicações, embora seus nomes não apareçam oficialmente.
O relatório também destaca diferenças entre as emendas individuais dos líderes e aquelas registradas em nome das lideranças. Enquanto as indicações pessoais costumam beneficiar exclusivamente os estados pelos quais os deputados foram eleitos, as chamadas “emendas de liderança” foram distribuídas entre diversos estados, sugerindo participação de múltiplos autores ocultos.
Entre os exemplos citados, o líder do PP, Dr. Luizinho (RJ), teve mais da metade dos R$ 427,7 milhões destinados ao Piauí, enquanto apenas 24% foram para o Rio de Janeiro. No União Brasil, 47% dos recursos atribuídos ao então líder Pedro Lucas Fernandes (MA) seguiram para o Maranhão, e o restante foi distribuído entre outros 14 estados.
Outro ponto apontado pelo levantamento é a dificuldade para rastrear a aplicação do dinheiro público. A organização informa que R$ 821 milhões em emendas de comissão empenhadas em 2025 não puderam ter seus beneficiários finais identificados devido à ausência de um identificador único que permita acompanhar a execução das indicações nas bases públicas do Congresso Nacional e do governo federal.
Segundo a Transparência Brasil, o mecanismo continuou sendo utilizado em 2026. Até 29 de maio, já haviam sido identificados R$ 373,8 milhões em emendas registradas apenas em nome de líderes partidários, sem identificação dos deputados responsáveis pelas indicações. Entre as novidades está a entrada do PT, com R$ 107,5 milhões registrados nesse formato, enquanto o Republicanos lidera o volume parcial do ano, com R$ 126,5 milhões. O estudo ressalta ainda que não encontrou registros desse tipo de indicação nas emendas de comissão do Senado Federal.
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Fonte: G1

