Plebiscito no Ceará mostra 98,8% contra lei de drones com agrotóxicos

Um plebiscito popular realizado no Ceará apontou ampla rejeição à lei estadual que autoriza a pulverização aérea de agrotóxicos por drones. O resultado foi anunciado no dia 22 de abril, no auditório da FAFIDAM, em Limoeiro do Norte, reunindo organizações sociais, movimentos populares e representantes da sociedade civil.

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A consulta foi organizada por cerca de 40 entidades, incluindo paróquias, sindicatos, coletivos de juventude e movimentos sociais, que se mobilizaram em todo o estado para ouvir a população sobre a permanência da norma, sancionada em dezembro de 2024 pelo governador e aprovada por 22 deputados estaduais.

Ao todo, foram registrados 22.930 votos. Desses, 22.648 (98,8%) defenderam a revogação imediata da lei, enquanto 212 (0,9%) se posicionaram pela sua manutenção. Também foram contabilizados 46 votos nulos (0,2%) e 24 em branco (0,1%).

A legislação, de número 19.135/2024, permite o uso de drones para pulverização de agrotóxicos sob determinadas condições, como acompanhamento técnico e limite de altura. No entanto, críticos afirmam que a medida representa um retrocesso em relação à Lei Zé Maria do Tomé (16.820/2019), que proíbe a pulverização aérea no estado e é considerada referência na proteção ambiental e da saúde pública.

O plebiscito integra a campanha “Revoga Já! Chuva de Veneno Nunca Mais!”, lançada em fevereiro de 2025, em Fortaleza. A iniciativa busca ampliar o debate sobre os impactos dos agrotóxicos e pressionar pela revogação da norma.

Durante o anúncio do resultado, representantes das organizações destacaram que a votação expressa a posição majoritária da população cearense contra a pulverização aérea. Segundo eles, o próximo passo será intensificar a mobilização social e política até que a lei seja efetivamente derrubada.

A discussão também chegou ao campo jurídico. O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) acionou o Supremo Tribunal Federal (STF), questionando a constitucionalidade da lei estadual, sob o argumento de que ela contraria princípios de proteção à vida e ultrapassa competências legislativas.

O tema remete a um histórico de conflitos na região. Em 2010, o líder camponês José Maria do Tomé foi assassinado após denunciar práticas de pulverização aérea e conflitos fundiários na Chapada do Apodi. Anos depois, a proibição desse tipo de aplicação no Ceará foi consolidada em lei.

Com o resultado do plebiscito, organizações afirmam que a disputa em torno da nova legislação segue em aberto, envolvendo interesses ambientais, econômicos e de saúde pública. A mobilização social deve continuar nos próximos meses, enquanto o tema também aguarda desdobramentos no Judiciário.

 

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