Cearenses viajam até centenas de quilômetros para perícia do INSS no interior
Moradores do interior do Ceará, incluindo cidades do Vale do Jaguaribe, estão sendo obrigados a percorrer centenas de quilômetros para realizar perícias médicas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), etapa obrigatória para concessão ou manutenção de benefícios previdenciários. A situação tem gerado custos elevados, desgaste físico e risco de suspensão de renda para famílias em situação de vulnerabilidade.
>>>CLICK AQUI PARA SEGUIR O CANAL FOLHA DO VALE NO WHATSAPP<<<
Levantamento com dados do Ministério da Previdência Social, obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), mostra que milhares de segurados cearenses tiveram perícias agendadas fora do município de residência entre 2019 e 2025. Apenas em 2025, quase metade dos beneficiários no Ceará precisou viajar ao menos 70 quilômetros para atendimento, em um universo de mais de 156 mil pessoas.
Em muitos casos, a distância é ainda maior. Municípios do interior concentram agendamentos a mais de 150 km do local de residência, obrigando segurados a enfrentar longas viagens, muitas vezes em transporte fretado ou com apoio limitado das prefeituras.
Para quem depende exclusivamente do benefício, como pessoas com deficiência, idosos e trabalhadores incapacitados, o deslocamento representa mais um peso sobre a renda já comprometida. Além do custo com transporte, há despesas com alimentação, hospedagem e, em alguns casos, a necessidade de acompanhantes.
Especialistas apontam que o problema se agravou após o fechamento ou redução de atendimento em unidades menores do INSS. Com isso, as perícias passaram a ser concentradas em cidades maiores, aumentando as distâncias percorridas pela população do interior.
Além do impacto financeiro, a exigência também pode comprometer o acesso ao benefício. O não comparecimento à perícia, seja por falta de recursos ou dificuldades físicas, pode resultar na suspensão ou no indeferimento do pagamento, afetando diretamente a subsistência das famílias.
Decisões recentes do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5) indicam que deslocamentos superiores a 70 quilômetros podem ser considerados excessivos, especialmente quando inviabilizam o acesso ao serviço. Segundo o entendimento da Corte, a exigência de viagens longas pode, na prática, representar restrição ao direito previdenciário.
O Ministério da Previdência Social informou que o sistema de agendamento prioriza vagas em um raio aproximado de 70 km, mas amplia a busca gradualmente quando não há disponibilidade. A pasta também aponta alternativas como análise documental e teleperícia para reduzir deslocamentos, embora especialistas alertem que essas soluções ainda não atendem plenamente moradores de áreas rurais com acesso limitado à internet.
Enquanto não há solução definitiva, moradores do interior do Ceará seguem enfrentando longas viagens para garantir um direito básico. A demanda por ampliação de peritos, retomada de atendimentos itinerantes e reabertura de serviços em cidades menores tem sido apontada como caminho para reduzir as distâncias e facilitar o acesso ao benefício previdenciário.
SIGA-NOS NO INSTRAGRAM E FIQUE POR DENTRO DAS ÚLTIMAS NOTICIAS

Fonte: DN

