Baixa adesão e desinformação travam vacinação contra gripe no Ceará

A campanha de imunização contra a influenza começou no Ceará na última sexta-feira, 20 de março, voltada a públicos mais vulneráveis, como crianças, idosos e gestantes. Apesar disso, o Estado enfrenta dificuldades para alcançar a meta de vacinar 90% dessas pessoas, índice que não é atingido desde 2021.

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Dados da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) indicam uma queda progressiva na cobertura vacinal nos últimos anos. Após atingir 97% em 2020, o índice caiu continuamente até chegar a 55% em 2025. A redução atinge justamente os grupos mais suscetíveis a complicações da gripe, incluindo o público infantil e a população idosa.

Especialistas apontam dois fatores principais para o cenário atual. Um deles é a menor prioridade dada à vacinação no dia a dia. Muitas pessoas têm adiado a ida aos postos de saúde por conta da rotina ou por acreditarem que não correm risco de adoecer. O outro fator é o impacto da desinformação, que tem influenciado a confiança nos imunizantes.

Segundo a coordenação de imunização da Sesa, o Brasil já foi referência internacional em campanhas vacinais, com forte mobilização social. No entanto, nos últimos anos, o avanço de conteúdos falsos nas redes sociais tem contribuído para a queda na adesão.

A campanha ocorre em um período estratégico, durante a quadra chuvosa, quando há maior circulação de vírus respiratórios. Crianças pequenas e idosos estão entre os mais afetados, o que reforça a importância da vacinação para evitar casos graves e mortes.

O Ceará foi o primeiro estado a iniciar a imunização neste ano, com a distribuição inicial de 760 mil doses, cerca de um quinto da meta total. Novos lotes devem ser enviados nas próximas semanas.

Para ampliar a cobertura, autoridades têm apostado em ações diferenciadas, como pontos de vacinação em locais de grande circulação e atividades educativas com personagens tradicionais das campanhas, como o Zé Gotinha.

A vacina disponível na rede pública protege contra três variantes do vírus da influenza previstas para circular em 2026 e passa por rigorosos processos de controle de qualidade. O imunizante é considerado seguro, gratuito e pode ser aplicado junto a outras vacinas do calendário.

Embora a mobilização seja intensificada no primeiro semestre, a orientação é que os grupos prioritários procurem a vacinação em qualquer época do ano, já que o imunizante faz parte do calendário regular.

A aplicação está sendo realizada em unidades básicas de saúde e em pontos específicos de atendimento, como os Vapt Vupt, além de postos municipais que seguem programações próprias, inclusive aos fins de semana.

 

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Fonte: DN

 

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