Ceará enfrenta crise de talentos: 65% das empresas lutam para contratar qualificados

O mercado de trabalho no Ceará vive um cenário de dificuldades para preencher vagas, impulsionado por um desalinhamento entre o perfil buscado pelas empresas e as expectativas dos profissionais. A constatação aparece no Relatório Tendências em Gestão de Pessoas, elaborado pelo Great Place to Work Brasil.

De acordo com o levantamento, 65,4% dos participantes cearenses relataram obstáculos na contratação de trabalhadores qualificados. A pesquisa foi realizada entre novembro e dezembro de 2025, com 1.346 respondentes em todo o País, cerca de 25 deles no Ceará, o equivalente a 1,9% da amostra.

A diretora de Comunicação e Relações Institucionais da consultoria, Daniela Diniz, afirma que o problema não é exclusivo do Estado e atinge empresas de diferentes regiões do Brasil. Segundo ela, a qualificação exigida vai além da formação técnica ou superior e inclui competências comportamentais, como comunicação eficiente, pensamento crítico e capacidade de interação.

Para a especialista, a necessidade de atualização constante se intensifica em um contexto em que os profissionais permanecem mais tempo no mercado e acumulam diferentes experiências ao longo da carreira.

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Flexibilidade pesa mais que salário

O estudo também aponta que empresas com maior abertura à flexibilidade enfrentam menos dificuldades para contratar e reter talentos. Benefícios como autonomia, liberdade na rotina e equilíbrio entre vida pessoal e profissional ganharam relevância, especialmente entre trabalhadores mais jovens.

A secretária de organização da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Graça Costa, observa que há hoje maior poder de escolha por parte dos candidatos, que avaliam não apenas remuneração, mas também condições de trabalho e perspectivas de crescimento. Ela ainda destaca o aumento do interesse por atividades autônomas.

Na avaliação da mentora de carreira Delania Santos, o impasse envolve tanto a escassez de competências alinhadas às novas demandas quanto a necessidade de revisão da cultura organizacional e dos modelos de liderança para tornar as empresas mais atrativas.

 

Liderança é prioridade para 2026

Além da contratação, o desenvolvimento de lideranças aparece como o segundo maior desafio apontado pelos profissionais cearenses. A capacitação de gestores é vista como essencial para fortalecer o engajamento e criar ambientes de trabalho mais adaptáveis.

Entre as prioridades para 2026 estão o investimento na formação de líderes, a transformação da cultura interna e o fortalecimento do comprometimento das equipes. As habilidades mais valorizadas incluem resolução de problemas complexos, capacidade de influenciar, conhecimento do negócio, flexibilidade e domínio técnico.

Apesar das dificuldades relatadas, o cenário projetado é de otimismo. O Ceará figura entre os estados em que não houve manifestação de pessimismo quanto às oportunidades de negócios: 69,2% dos participantes demonstraram confiança para o próximo ano.

O nível de engajamento também se destaca. Para 84,6% dos respondentes, os colaboradores estão engajados, enquanto 7,7% classificam o envolvimento como elevado.

A maior previsão de novas vagas em 2026 concentra-se nas áreas de suporte e operação, com funções voltadas à manutenção, atendimento técnico e resolução de demandas internas.

 

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Fonte: DN

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