Tentativa de corte de mangueira gera revolta na comunidade de São Raimundo

Uma tentativa de supressão de uma mangueira gerou revolta e indignação entre moradores da comunidade de São Raimundo, na zona rural de Limoeiro do Norte. O episódio ocorreu no último sábado, 31 de janeiro, e mobilizou a população local.

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Imagens divulgadas nas redes sociais mostram a mangueira com sinais de corte no caule, em um terreno ao lado da Igreja de São Raimundo, padroeiro da comunidade. A situação repercutiu entre os moradores, que passaram a manifestar preocupação com a possível derrubada da árvore frutífera, considerada parte do patrimônio ambiental e paisagístico da localidade.

Diante dos danos identificados, o ambientalista Ítalo Diógenes iniciou uma intervenção emergencial no local com o objetivo de tentar preservar a árvore. Foi aplicada a técnica conhecida como enxertia reversa, procedimento que consiste no reaproveitamento de partes da própria planta, reimplantadas de forma invertida, com o uso de materiais naturais para bandagem e sustentação, buscando restabelecer a circulação da seiva e evitar a perda total do exemplar.

A situação gerou tensão entre moradores favoráveis à preservação da mangueira e outros envolvidos na disputa pelo terreno onde a árvore está plantada. Em razão do conflito, uma viatura da Polícia Militar foi acionada e compareceu ao local para apaziguar os ânimos e evitar novos confrontos.

Na segunda-feira, 2 de fevereiro, o repórter Nilo Leite conversou com um morador da comunidade, que preferiu não se identificar. Segundo ele, o impasse envolve uma divergência entre uma moradora da comunidade e a igreja local, relacionada à posse de um terreno que passa ao lado do templo, onde está localizada a mangueira. A moradora envolvida alega ser proprietária da área.

De acordo com o ambientalista Ítalo Diógenes, o estado da árvore é considerado crítico, com chances de recuperação estimadas em cerca de 1%. Ainda assim, a tentativa de salvamento segue em curso, contando com o apoio da comunidade e com a preservação do local contra novos danos ou atos de vandalismo.

Ítalo destacou ainda que árvores de grande porte possuem valor ambiental inestimável, especialmente em meio à crise climática, por contribuírem para a redução da temperatura do solo e do entorno, podendo diminuir entre 7 e 10 graus. Ele reforçou que a derrubada indevida de árvores pode configurar crime ambiental, conforme prevê a legislação vigente.

Ainda segundo o morador, a árvore não chegou a ser derrubada, e o caso segue em processo de diálogo entre as partes envolvidas. A expectativa da comunidade de São Raimundo é de que haja entendimento e que a situação seja resolvida de forma pacífica, preservando o meio ambiente e a convivência local.

 

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Por Nilo Leite

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