Baixa adesão à vacina contra covid mantém risco de casos graves no Brasil
Cinco anos após o início da vacinação contra a covid-19 no país, a doença deixou de ser uma emergência sanitária, mas segue em circulação e ainda provoca internações e mortes. Especialistas alertam que a proteção da população depende da retomada da imunização, sobretudo entre pessoas não vacinadas e grupos mais vulneráveis.
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Em 2025, a utilização das vacinas ficou muito abaixo do esperado. Do total de 21,9 milhões de doses enviadas pelo Ministério da Saúde a estados e municípios, apenas cerca de 8 milhões foram aplicadas. A baixa cobertura tem impacto direto nos indicadores de saúde: somente no último ano, mais de 10 mil pessoas desenvolveram quadros graves da infecção, resultando em aproximadamente 1,7 mil óbitos confirmados.
O monitoramento da Fundação Oswaldo Cruz aponta que o coronavírus permanece entre os principais agentes de risco entre os vírus respiratórios. Pesquisadores destacam que surtos continuam ocorrendo e que novas variantes podem surgir sem aviso prévio, já que a covid-19 não apresenta padrão sazonal definido.
Desde 2024, a vacina passou a integrar o calendário básico para crianças, idosos e gestantes, além de reforços periódicos para grupos específicos. Mesmo assim, cumprir essas metas tem sido um desafio. Em 2025, cerca de 2 milhões de doses foram aplicadas em crianças, mas os dados disponíveis indicam índices muito baixos entre os menores de um ano. O próprio Ministério da Saúde reconhece que as informações atuais ainda não refletem toda a cobertura real.
Especialistas avaliam que a redução da percepção de risco após o fim do período crítico da pandemia contribuiu para a queda na procura, especialmente no público infantil. Crianças pequenas, no entanto, continuam entre os grupos mais suscetíveis a complicações, atrás apenas dos idosos. Registros nacionais mostram milhares de internações e centenas de mortes nessa faixa etária desde 2020.
Além das formas graves da doença, a covid-19 pode desencadear síndromes raras em crianças e aumentar o risco de problemas cardiovasculares após a infecção. Em contrapartida, estudos e dados de acompanhamento reforçam a eficácia e a segurança das vacinas, com redução expressiva de casos graves e poucos eventos adversos, em sua maioria leves.
Para especialistas em imunização, o fortalecimento da confiança nas vacinas passa também pelo papel dos profissionais de saúde, que devem se manter atualizados e orientar as famílias com base em evidências científicas. A recomendação é que todos os grupos elegíveis mantenham o esquema vacinal em dia, como principal estratégia para evitar novas ondas da doença e reduzir mortes evitáveis.
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Fonte: Agencia Brasil

