Ceará avança no ensino médio integral, mas enfrenta desafios até 2026

O Governo do Ceará intensifica, em 2026, o processo de reestruturação da rede estadual para cumprir a meta de ofertar o ensino médio em tempo integral em todas as escolas públicas do Estado. O compromisso, transformado em lei em 2022 e reafirmado na atual gestão, já apresenta avanços significativos, embora ainda provoque debates, ajustes e resistência em parte das comunidades escolares.

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Atualmente, a rede estadual conta com 766 unidades de ensino médio. Desse total, 531 já funcionam em regime de tempo integral, reunindo diferentes modelos, como escolas regulares integrais, unidades profissionalizantes, escolas do campo, militares, quilombolas e institutos específicos. Nessas instituições, os estudantes cumprem jornadas diárias que variam de sete a nove horas.

Outras 235 escolas ainda operam no modelo regular. Segundo a Secretaria da Educação do Ceará (Seduc), 151 dessas unidades passarão pelo processo de ampliação da jornada até o fim de 2026. As demais possuem características específicas, como escolas indígenas, Centros de Educação de Jovens e Adultos (CEJA) e unidades do sistema prisional, que não estão incluídas na meta imediata de integralização.

A transição ocorre de forma gradual. Em 2026, a universalização do tempo integral alcançará inicialmente os alunos da 1ª série do ensino médio. As turmas da 2ª e 3ª séries permanecerão no regime parcial, sendo incorporadas ao novo modelo nos anos seguintes. A previsão da Seduc é que, até agosto do próximo ano, todas as turmas de 1º ano estejam em jornada ampliada.

Para viabilizar a mudança, o Estado aposta na construção de novas escolas e na adaptação de prédios já existentes, com investimentos superiores a R$ 1,6 bilhão. As intervenções envolvem adequações estruturais, como laboratórios, bibliotecas, refeitórios, quadras esportivas e áreas de convivência, além da reorganização curricular e da jornada de trabalho dos professores.

Esse reordenamento, porém, tem impactos diretos na oferta de vagas. Uma escola que antes atendia cerca de 800 alunos em dois turnos passa a receber um número menor quando adota o tempo integral, o que exige a redistribuição de estudantes para outras unidades da rede. Em alguns casos, isso tem resultado no fechamento de turmas e até no encerramento de atividades escolares.

Situações desse tipo têm gerado tensão em municípios do interior e na Capital. Em Farias Brito, no Cariri, a Escola Getúlio Vargas deixará de ofertar o 1º ano em 2026 e será desativada, com os alunos sendo direcionados para outras unidades. Em Fortaleza, escolas tradicionais também passam por mudanças, com redução de vagas na 1ª série e remanejamento de estudantes para instituições próximas.

A Seduc afirma que todas as decisões são baseadas em estudos de demanda e diálogo com as gestões escolares, garantindo que nenhum aluno fique sem vaga. Em 2025, mais de 109 mil estudantes ingressaram na 1ª série do ensino médio, e a pasta assegura que haverá oferta suficiente para atender a procura em 2026.

Apesar dos avanços, o processo evidencia que a universalização do ensino médio em tempo integral no Ceará, iniciada ainda em 2006, segue como uma política estratégica, mas cercada de desafios. Infraestrutura, organização da rede, segurança no entorno das escolas e diálogo com a comunidade escolar permanecem como pontos centrais para que a meta seja alcançada de forma equilibrada e sustentável.

 

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Fonte: DN

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