Fraude no Ceará Sem Fome leva 12 à Justiça após desvio de quase R$ 890 mil

Uma investigação conduzida pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) revelou um esquema criminoso que desviou quase R$ 890 mil por meio de fraudes no programa social Ceará Sem Fome, do Governo do Estado. A denúncia foi aceita pela Justiça Estadual, que tornou 12 pessoas rés no processo. As próximas audiências de instrução estão marcadas para os dias 26 e 28 de janeiro de 2026.

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De acordo com o MPCE, o esquema envolveu a invasão do sistema da empresa responsável pela gestão dos cartões do benefício, permitindo a inserção de créditos muito acima do valor regular do programa, que era de R$ 300 mensais por beneficiário. Ao todo, 19 cartões receberam cargas irregulares que somaram R$ 889.375, com média superior a R$ 46 mil por cartão. Um único cartão chegou a receber mais de R$ 190 mil.

Os valores foram utilizados em compras de grande vulto em supermercados de Fortaleza, incluindo alimentos em quantidade incompatível com o programa e também produtos como fogão, televisão, ar-condicionado, caixas de som, bebidas alcoólicas e eletrônicos. Parte das mercadorias era transportada por caminhões enviados pela organização.

A apuração teve início após um boletim de ocorrência registrado em março de 2024 pela Secretaria da Proteção Social (SPS), que identificou movimentações atípicas no sistema já no mês anterior. Uma das cargas foi bloqueada antes do uso, evitando novo prejuízo.

A quadrilha foi alvo da Operação Klapaucius, deflagrada pela Polícia Civil em junho de 2024, quando sete suspeitos foram presos e cinco veículos apreendidos. As investigações apontam que, embora os crimes tenham ocorrido no Ceará, o grupo era comandado a partir do Rio de Janeiro, com divisão entre núcleo cibernético, responsável pelas invasões e recargas ilegais, e núcleo operacional, encarregado das compras nos estabelecimentos.

Segundo as autoridades, não houve prejuízo aos cofres públicos, já que os valores creditados não pertenciam ao Estado. As perdas recaíram sobre a empresa gestora dos cartões e os supermercados envolvidos nas transações.

O MPCE detalhou a participação individual de cada acusado e os crimes imputados incluem organização criminosa, invasão de dispositivo informático, furto e uso de documento falso. As defesas dos réus não se manifestaram até o momento. O espaço segue aberto para posicionamento.

 

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Fonte: DN

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