Maioria dos jovens deixa o Bolsa Família e conquista renda própria, diz estudo

Um levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV) mostrou que a maioria dos beneficiários do Bolsa Família conseguiu romper o ciclo de dependência do programa ao longo da última década. A análise revela que, entre os participantes inscritos em 2014, cerca de 61% haviam deixado de receber o auxílio até 2025. O avanço é ainda mais expressivo entre quem era adolescente no início do período: sete em cada dez jovens de 15 a 17 anos deixaram a transferência de renda em dez anos.

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O estudo, feito em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, destaca que a chamada “segunda geração” do programa tem apresentado maior inserção produtiva. Entre os jovens de 15 a 17 anos avaliados, 28,4% possuíam emprego formal em 2025 e mais da metade não estava mais no Cadastro Único. A faixa de 11 a 14 anos também demonstrou forte mobilidade, enquanto os menores de 4 anos registraram índices menores de saída do benefício no longo prazo.

A pesquisa mostra que fatores como escolaridade dos responsáveis, presença de emprego formal na família e localização urbana favorecem a ascensão social. Jovens que vivem em lares com carteira assinada apresentam taxas de desligamento muito superiores às registradas entre famílias sem vínculo formal. Além disso, domicílios liderados por pessoas com ensino médio revelam melhores resultados que aqueles chefiados por adultos com escolaridade básica.

Para o professor Valdemar Pinho Neto, autor do estudo, o Bolsa Família tem funcionado não apenas como instrumento de proteção imediata, mas como política de promoção de oportunidades. Ele ressalta que as condicionalidades, como frequência escolar, vacinação e acompanhamento de saúde, contribuem para a formação de capital humano e, consequentemente, para o acesso ao mercado de trabalho.

O pesquisador também afirma que a capacidade de renovação do programa depende da saída natural das famílias, especialmente entre os jovens, o que garante sustentabilidade financeira e operacional. O ambiente socioeconômico, porém, exerce forte influência: áreas urbanas apresentam índices superiores aos observados em regiões rurais.

O levantamento inclui ainda dados da versão atualizada do programa, em vigor desde 2023. Nesse período, aproximadamente um terço dos beneficiários iniciais deixou de receber o auxílio até outubro de 2025. Entre adolescentes, a taxa supera 42%. A saída mensal de famílias tem superado a entrada, apontando uma tendência de continuidade desse movimento nos próximos anos.

O ministro Wellington Dias comemorou os resultados, reforçando que o programa é um ponto de partida para a autonomia das famílias. A FGV também destaca mecanismos recentes, como a regra de proteção para quem ingressa no mercado formal e o Programa Acredita, que oferece microcrédito a pequenos empreendedores, facilitando a transição para a renda própria.

O Bolsa Família segue destinado a famílias com renda de até R$ 218 por pessoa, garantindo benefício mínimo de R$ 600, com acréscimos conforme a composição familiar. Em novembro de 2025, mais de 18,6 milhões de famílias recebiam o auxílio.

 

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Fonte: Agencia Brasil

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