Cesta básica no Ceará tem alívio parcial, mas custos essenciais seguem em alta
O mês de julho trouxe um cenário misto para o bolso dos consumidores brasileiros. A Pesquisa Nacional da Cesta Básica, divulgada pelo Dieese em parceria com a Conab, mostrou que os preços dos alimentos tiveram redução em 15 capitais, mas subiram em outras 12, com destaque para aumentos no Nordeste.
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Enquanto cidades como Recife, Maceió e Natal registraram as maiores altas, capitais do Sul e do Sudeste apresentaram recuos expressivos. No caso de Fortaleza, alguns itens como o feijão carioca tiveram queda, mas o impacto no orçamento das famílias foi limitado, já que outros produtos e serviços essenciais subiram.
O levantamento apontou ainda que São Paulo continua liderando o ranking da cesta básica mais cara do país, acima de R$ 860, enquanto as capitais nordestinas seguem entre as que apresentam menores valores médios, como Aracaju e Salvador.
Segundo o Dieese, considerando o custo da alimentação em julho, o salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas deveria superar os R$ 7,2 mil, quase cinco vezes o piso atual. Isso reforça a dificuldade enfrentada por trabalhadores que comprometem mais da metade da renda apenas com os alimentos básicos.
Além da pesquisa nacional, o boletim de inflação do Pacto Contra a Fome destacou que, mesmo com a queda dos preços dos alimentos em julho, outros gastos pressionaram o orçamento, especialmente a energia elétrica, que subiu quase 3% no período. O resultado foi uma alta geral do IPCA, limitando os ganhos para a população.
No caso do Ceará, o alívio com a cesta básica não chega a compensar os aumentos em serviços e contas fixas. Especialistas alertam para o “paradoxo dos alimentos saudáveis”: embora frutas, verduras e itens in natura tenham registrado recuo pontual, o acumulado dos últimos 12 meses revela aumento maior do que o de produtos ultraprocessados, o que pode induzir escolhas menos nutritivas nas famílias de menor renda.
Apesar de o Brasil ter deixado o Mapa da Fome recentemente, mais de 28 milhões de pessoas ainda vivem em situação de insegurança alimentar. Organizações sociais reforçam que a erradicação da fome só será possível com políticas públicas integradas e esforços conjuntos da sociedade.
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Fonte: Agencia Brasil

