Ceará mira salvação das exportações com pacote de Lula contra tarifaço dos EUA
Instalações portuárias e logísticas do Ceará destacam o papel do estado na economia exportadora, cenário que o Plano Brasil Soberano busca fortalecer
Com mais da metade de tudo o que vende ao exterior indo para os Estados Unidos, o Ceará entrou no centro das discussões sobre como enfrentar o impacto das novas tarifas impostas pelo governo norte-americano. Agricultores, indústrias e empresas exportadoras locais já sentem o peso da medida e aguardam socorro para manter contratos, produção e empregos.
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Setor de pescados no Ceará enfrenta queda na produção após tarifas dos EUA, um dos setores mais afetados pela nova política comercial.
A resposta veio de Brasília. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, nesta quarta-feira, 13 de agosto, o Plano Brasil Soberano, um conjunto de ações que promete proteger a economia dos estados mais afetados, e o Ceará está no topo da lista proporcionalmente.
O pacote prevê R$ 30 bilhões em linhas de crédito, prorrogação de prazos para exportações e compras públicas de produtos que seriam vendidos aos EUA, além de incentivos para abrir novos mercados. No caso cearense, o Governo do Estado já se prepara para negociar a aquisição de mel, castanha de caju, água de coco, pescado e cera de carnaúba, garantindo renda a produtores e evitando que estoques fiquem encalhados.
Para o economista Ricardo Eleutério, do Corecon-CE, as medidas podem ser decisivas para atravessar a crise. “O crédito vinculado à manutenção dos empregos dá fôlego às empresas, que assim podem manter suas operações e não perder espaço no mercado”, avalia.
Nem todos estão plenamente satisfeitos. O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Faec), Amílcar Silveira, critica a ausência de ações como a devolução de créditos da Lei Kandir, mas elogia a articulação local para minimizar prejuízos.
O desafio agora é transformar o anúncio em resultados concretos. Especialistas alertam que a agilidade na execução e a diversificação dos destinos comerciais serão determinantes para reduzir a dependência do Ceará em relação ao mercado norte-americano e blindar a economia contra novos choques externos.
Como o Plano Brasil Soberano pode impactar o Ceará
- Crédito de até R$ 30 bilhões para empresas afetadas, com prioridade às exportadoras cearenses mais atingidas e exigência de manutenção de empregos.
- Prorrogação de prazos de exportação para evitar multas e juros a empresas que não conseguirem cumprir contratos com os EUA no prazo original.
- Compras governamentais de alimentos produzidos no Ceará que seriam vendidos ao mercado norte-americano (mel, castanha de caju, água de coco, pescado e cera de carnaúba).
- Apoio à prospecção de novos mercados, incentivando empresas cearenses a vender para países como Índia, Vietnã e Emirados Árabes.
- Fortalecimento de fundos garantidores para ampliar o acesso ao crédito por micro, pequenas e médias exportadoras do Estado.
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Fonte: DN

