Sobretaxa dos EUA ameaça produtores de manga em Quixeré, no Vale do Jaguaribe

Produtores de frutas em Quixeré, no Vale do Jaguaribe, estão em alerta após a decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar uma sobretaxa de 50% sobre a importação de produtos brasileiros, incluindo a manga. A medida, anunciada pelo presidente Donald Trump, deverá impactar diretamente a cadeia produtiva no Ceará, que vinha se preparando para ampliar investimentos no setor.

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A região de Quixeré, assim como outras localidades do Estado, integra o mapa de produção de manga voltada à exportação, sobretudo para o mercado norte-americano. A medida tarifária ameaça desestabilizar os planos de expansão de produtores locais, que já calculam prejuízos e repensam estratégias para os próximos meses.

Empresários da área consideravam ampliar em até quatro vezes a área de cultivo no Estado, o que geraria novos empregos e fortaleceria a economia regional. Hoje, cerca de 30% das 10 mil toneladas de manga produzidas são direcionadas aos EUA, aproveitando a janela comercial entre agosto e outubro, período em que o Brasil domina as exportações para aquele país.

Com o novo cenário, há receio de redirecionar as vendas para a Europa, onde a oferta do fruto já é elevada. Um produtor, que pediu anonimato, avaliou que o excesso de manga no mercado europeu poderá derrubar os preços e inviabilizar parte da produção. “Não é só o nosso faturamento que sofre. Toda a cadeia sente”, alerta.

Outro obstáculo é o gosto dos consumidores. Enquanto os EUA preferem as variedades Tommy e Palmer, a Europa prioriza os tipos Kent e Keitt, o que limita a adaptação imediata dos exportadores.

Altamir Martins, produtor de manga e sócio da AGM Crops, destaca que, durante cerca de três meses, o Brasil é praticamente o único fornecedor do fruto para os americanos. A nova taxa, segundo ele, traz um desafio que nenhum outro mercado poderá compensar em curto prazo. “Nem mesmo o consumo interno é capaz de absorver o que produzimos nesse período”, afirma.

Em meio à incerteza, os produtores seguem mobilizados por meio de seus parceiros comerciais nos Estados Unidos, tentando articular exceções para o setor junto às autoridades norte-americanas. O objetivo é evitar uma desaceleração brusca que afete empregos e comprometa a competitividade do Ceará no mercado internacional.

Com tradição na fruticultura, Quixeré é um dos exemplos de como uma política comercial externa pode afetar diretamente a produção agrícola cearense. Para os produtores locais, o momento é de cautela e estratégia, mas também de cobrança por apoio das autoridades brasileiras.

 

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Fonte: DN

 


		

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