Ceará é o mais afetado do Brasil com nova tarifa de 50% imposta por Trump

O Ceará pode ser o estado brasileiro mais atingido pelas tarifas de 50% impostas recentemente pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais. A decisão, assinada pelo presidente americano Donald Trump, incide diretamente sobre setores estratégicos da economia cearense, que tem quase metade de suas exportações direcionadas ao mercado norte-americano.

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Segundo levantamento com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), 44,9% de tudo que o Ceará exporta tem como destino os EUA, percentual que coloca o estado no topo do ranking nacional nesse tipo de relação comercial.

Entre os setores mais vulneráveis à medida estão o de ferro fundido e aço, além do ramo pesqueiro, que inclui peixes, crustáceos e moluscos. Este último é particularmente relevante: do total exportado pelo Brasil nesse segmento, mais de 60% é vendido aos norte-americanos, sendo que o Ceará responde por quase um quarto desse montante.

O impacto, segundo especialistas, deve se refletir em toda a cadeia produtiva. “Estamos falando de mais de R$ 1,2 bilhão por ano só em laminados de aço. Sem contar frutas e outros produtos que escoam por aqui, inclusive de outros estados. O prejuízo pode ser gigantesco”, alerta o analista de comércio exterior Augusto Fernandes.

Além das perdas comerciais diretas, a medida deve causar reflexos em toda a economia nacional, com possível aumento da inflação, pressão sobre o dólar e encarecimento de produtos ao consumidor final. “Tudo hoje está atrelado ao dólar. Quando ele sobe, a população paga a conta”, reforça Fernandes.

A nova tarifa foi acompanhada de uma carta enviada por Trump ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na qual o presidente americano alega que a medida é uma reação a decisões judiciais brasileiras que, segundo ele, restringem a liberdade das redes sociais dos EUA. Trump também criticou o andamento das investigações contra Jair Bolsonaro, insinuando motivação política.

Diante do cenário, o secretário de Desenvolvimento Econômico do Ceará, Domingos Filho, afirmou que ainda é cedo para mensurar o real impacto das tarifas na economia local, mas defendeu a atuação diplomática do governo federal para tentar amenizar os danos e reverter a medida.

 

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