Jaguaribe: rio que resiste e inspira justiça para sertão e seu povo

Nasce sereno em terras altaneiras,
Jaguaribe, sangue do meu chão.
Desce menino por ribeiras inteiras,
Levando vida, cantando canção.

Mas a jornada é longa, dura e crua:
Sessenta e três léguas, oitenta e dois povos.
Sua corrente, que a sede sacia e lua,
Encontra muros, desvios novos.

Sofre prantos de lixo, de desprezo,
Golpes desleais, que tentam secar seu curso.
Sua alma clara pede um breve rezo,
Enquanto aguenta o humano trascurso.

Mas teima o rio!
Em curvas e cantos,
Insiste, flui, tece verdes mantos.
Por vales ásperos, sob sol inclemente,
Leva esperança à semente adiante!

Chega cansado, mas não vencido,
Entre Aracati e Fortim, o porto achado.
Ali se abre, num suspiro sentido,
Ao Oceano, abraço esperado!

Por amor se entrega, salgado e imenso,
Completa o círculo, gesto intenso!
Doce se funde à água do mar sem fim,
Ciclo de vida que não tem fim!

E a nós, banhados por tua existência,
Não basta olhar com pura reverência.
Exige-se mais que um amor profundo:
Um olhar de justiça para todo o mundo!

Para o pescador na jangada frágil,
Para o agricultor no seu terreiro.
Para o menino que tem no rio o brinquedo ágil,
Para o gado sedento no açude primeiro.

Rio Jaguaribe, veia aberta e fértil,
Que teima em fluir, teimar é teu estilo!
Não te cubram de sombra ou de lamento!
Levantemos por ti nosso juramento:

De defender tuas águas sagradas,
Tuas margens vivas, tuas cores banhadas.
Para que sigas, por séculos sem conta,
O teu destino de amor que transborda e afronta!

 

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Por Ítalo Diogenes

 

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