Mestre Chico, do Boi Pai do Campo, é símbolo vivo da cultura popular cearense

Francisco das Chagas da Costa, conhecido como Mestre Chico, é uma das figuras mais emblemáticas da cultura popular do Ceará. Natural da comunidade de Faceira, em Limoeiro do Norte, ele é cofundador do grupo Bumba Meu Boi Pai do Campo, fundado em 1980 ao lado de seu tio, João Vicente da Costa, o saudoso Mestre João Caboclo (in memoriam).

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O Boi Pai do Campo é descendente direto do tradicional Boi Laranjeira, criado por Zé de Terto, no distrito de Flores, e carrega em sua essência a herança dos trabalhadores que construíram o Açude Barracão, no município de Russas, na década de 1920. Esses operários, vindos da Bahia, encontraram na brincadeira do Bumba Meu Boi uma forma de celebrar suas raízes e aliviar as noites solitárias no sertão cearense. Ao fim da obra, muitos voltaram às suas comunidades e deram início a novos grupos culturais, perpetuando a tradição.

Na última terça-feira, 20 de maio, Mestre Chico celebrou mais um ano de vida, reforçando não só sua trajetória pessoal, mas também o compromisso com a cultura popular. A data foi marcada com alegria pela comunidade da Faceira, onde ele é reconhecido como um verdadeiro guardião da tradição.

Pelo seu trabalho e dedicação à cultura tradicional, Mestre Chico foi reconhecido em 2005 como Tesouro Vivo da Cultura do Ceará, título concedido pela Secretaria da Cultura do Estado (Secult). Já em 2016, recebeu da Universidade Estadual do Ceará (UECE) o título de Notório Saber em Cultura Popular.

Com décadas de atuação e compromisso com a preservação das manifestações populares, Mestre Chico segue como referência na arte do Bumba Meu Boi, fortalecendo a identidade cultural do Vale do Jaguaribe e do Ceará.

 

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Por Nilo Leite

 

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