Casos de Febre Oropouche avançam no Ceará e já superam total de 2024
Um levantamento divulgado pela revista científica The Lancet relaciona o avanço da Febre Oropouche na América Latina, incluindo o Brasil, com o impacto direto das mudanças climáticas. A pesquisa analisou dados de seis países da região e apontou que alterações no clima, como temperatura e chuvas irregulares, contribuíram para 60% dos casos da doença.
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O estudo associa a expansão da infecção ao fenômeno El Niño, que provoca o aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, e alerta para a possibilidade de surtos em larga escala nas próximas décadas, especialmente nas regiões costeiras e amazônicas do Brasil.
No Ceará, segundo boletim da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), atualizado em 5 de abril, o número de casos confirmados em 2025 já chega a 310. Em comparação com 2024, que teve 255 registros, o número atual representa aumento significativo.
A cidade de Baturité concentra a maior parte das notificações no estado, com 224 diagnósticos — o que representa 72% dos casos. Aratuba aparece em seguida, com 81. Também foram identificadas infecções isoladas em Fortaleza, Maracanaú, Capistrano, Mulungu e Quixadá.
A Febre Oropouche é causada por um vírus transmitido pelo mosquito Culicoides paraensis, conhecido popularmente como maruim ou mosquito-pólvora. Os sintomas mais comuns incluem febre, dores musculares, vômito e dor de cabeça. Casos mais graves podem envolver tontura, fotofobia e dor na lombar. A infecção pode ser especialmente preocupante durante a gestação, devido ao risco de malformações fetais.
Pesquisadores alertam ainda para a possibilidade de muitos casos terem sido subdiagnosticados, devido à semelhança dos sintomas com os da dengue. Dados coletados entre 2021 e 2022, com mais de 9,4 mil amostras de sangue, revelaram que 6,3% apresentaram anticorpos para a Oropouche, ultrapassando os 10% em algumas áreas da Amazônia.
A zona rural é considerada de alto risco para transmissão, principalmente em regiões com encostas alagadas, plantações sombreadas e acúmulo de matéria orgânica. Residências próximas a áreas cultivadas, como lavouras de banana e chuchu, também favorecem a presença do inseto vetor.

O Ministério da Saúde monitora o avanço da doença em nível nacional. Após os 833 casos registrados em 2023, o Brasil viu um salto para 13.721 notificações em 2024, incluindo quatro óbitos. Em 2025, já são 7.756 infecções confirmadas e uma morte sob investigação.
A Sesa reforça recomendações para reduzir o contato com o mosquito, como o uso de roupas compridas, aplicação de repelentes, instalação de telas protetoras e limpeza de terrenos e áreas externas das residências. Mulheres grávidas devem redobrar os cuidados.
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