No Dia do Repórter, Nelson Faheina relembra sua trajetória no jornalismo
No Dia do Repórter, comemorado neste domingo, 16 de fevereiro, o jornalista Nelson Faheina resgata sua trajetória profissional, marcada por coberturas históricas e premiações.
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Sua carreira começou na década de 1960, durante as enchentes causadas pelo rompimento do Açude de Orós. Na época, foi convidado a integrar a equipe de reportagem da Rádio Vale do Jaguaribe, em Limoeiro do Norte, sob a coordenação de Gerardo Lucena de Oliveira e José Nilson Osterne. Como correspondente, ficou encarregado de relatar o avanço das águas no Vale do Jaguaribe, experiência que ele considera seu “batismo” no jornalismo.

Outro episódio marcante foi a inauguração da ponte Senador Fernandes Távora, sobre o Rio Jaguaribe, em 1965, pelo presidente Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco. Faheina foi encarregado de cobrir a chegada da comitiva presidencial no aeroporto local, atual bairro Populares. Na ocasião, realizou a primeira entrevista concedida por Castelo Branco a um repórter, um feito de grande repercussão nacional.
O jornalista relembra que foi o primeiro a entrevistar Castelo Branco, que não costumava conceder entrevistas. Segundo Faheina, o feito teve grande repercussão nacional, pois, após um ano na presidência do Brasil, essa foi a primeira vez que o Marechal Humberto Castelo Branco falou a um repórter.
Durante a ditadura, Faheina expandiu sua carreira e seguiu para o Rio Grande do Norte, onde trabalhou em três emissoras de rádio. Posteriormente, mudou-se para Recife, atuando na Rádio Jornal do Comércio, considerada uma das melhores emissoras do país. Coincidentemente, essa era a rádio que ele mais gostava de ouvir quando ainda era jovem em Limoeiro do Norte.
No início da década de 1970, Faheina retornou a Limoeiro do Norte e, durante a cheia de 1974, recebeu uma proposta do Sistema Verdes Mares para enviar boletins sobre as enchentes no Vale do Jaguaribe. Em 1º de junho de 1974, fechou contrato com a emissora e passou a integrar a TV Verdes Mares, no jornal Tribuna do Ceará.

Sua atuação lhe rendeu vários prêmios e serviu como referência para seu ingresso na equipe de jornalismo da Rede Globo, onde trabalhou por mais de oito anos. Durante esse período, teve a oportunidade de atuar ao lado de grandes nomes do jornalismo brasileiro, além de viajar por diversos estados e países, cobrindo eventos de grande relevância, como um encontro promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU), realizado em Istambul, na Turquia.

No início da década de 1980, a convite do empresário Anselmo Mororó, Nelson Faheina contribuiu para a implantação da TV Comunitária, a primeira estação de TV a cabo do estado, atuando como apresentador e diretor da emissora, que depois passou a se chamar TV Diário.
Faheina destaca algumas matérias marcantes de sua trajetória, como a reportagem intitulada O Caminho das Águas, na qual acompanhou todo o percurso das águas do Rio Jaguaribe, desde a cidade de Tauá, na região dos Inhamuns. Entre 30 trabalhos concorrentes, essa matéria foi premiada com o troféu de 1º lugar.
Ele também recorda uma reportagem inusitada sobre o grande número de bicicletas existentes na época em Limoeiro do Norte. Nessa matéria, conseguiu colocar o então governador do estado, Manoel de Castro, o prefeito Evaldo Holanda Maia e o bispo diocesano da época, Dom Pompeu, para pedalar de bicicleta pelo centro da cidade.
Com mais de 60 anos de profissão, Nelson Faheina avalia que, para exercer uma profissão e alcançar o sucesso no ofício escolhido, é essencial ter amor pelo que se faz e, acima de tudo, humildade.
Aos 81 anos, Nelson Faheina segue atuando como jornalista e escritor, com cinco livros já publicados.
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Por Nilo Leite


