PF investiga esquema de compra de votos e fraude em contratos em 51 cidades do CE

Uma complexa investigação da Polícia Federal (PF) revelou a existência de um suposto esquema de lavagem de dinheiro e compra de votos envolvendo 51 municípios do Ceará durante as eleições municipais de 2024. O caso ganhou proporções nacionais após a citação do deputado federal Júnior Mano (PSB), o que levou a apuração ao Supremo Tribunal Federal (STF).

>>>CLICK AQUI PARA SEGUIR O CANAL FOLHA DO VALE NO WHATSAPP<<<

No centro da investigação está Maurício Gomes Coelho, um vigia de 37 anos com salário de R$ 2,4 mil, que fundou a MK Serviços em Construção e Transporte Escolar Ltda, empresa que fechou contratos milionários com administrações municipais. Com um capital social de R$ 8,5 milhões e contratos que somam R$ 319 milhões em 47 municípios, Maurício é apontado pela PF como possível laranja em um esquema criminoso supostamente liderado por Carlos Alberto Queiroz, conhecido como “Bebeto do Choró”, prefeito eleito de Choró.

Bebeto é investigado por possível ligação com a facção criminosa Comando Vermelho, que teria atuado na compra de votos para aliados políticos durante a eleição. Segundo a PF, áudios apreendidos indicam que Bebeto estaria insatisfeito com o alto custo da compra de votos. Após a apreensão do celular do prefeito eleito, a Justiça Eleitoral suspendeu sua posse em 1º de janeiro.

 

Ligação com o deputado Júnior Mano

A investigação ganhou nova dimensão após indícios de que o deputado Júnior Mano estaria envolvido no desvio de emendas parlamentares destinadas a alimentar o esquema de compra de votos. Relatórios da PF apontam que o parlamentar teria papel central na manipulação dos pleitos eleitorais, direcionando recursos públicos para empresas controladas pelo grupo criminoso.

O inquérito também destaca a relação de Bebeto com outros políticos e empresários, que teriam se beneficiado de contratos fraudulentos. Entre as empresas investigadas, além da MK, pelo menos outras sete também teriam sido favorecidas em licitações direcionadas.

 

Depoimento crucial e operação da PF

A denúncia que impulsionou a investigação foi feita pela ex-prefeita de Canindé, Rosário Ximenes, durante o período eleitoral. Ela afirmou que Bebeto teria mobilizado cerca de R$ 58 milhões para financiar a compra de votos em 51 municípios. Segundo Rosário, o esquema envolvia desde o financiamento de combustível e veículos até a doação de brindes em troca de apoio eleitoral.

Em 25 de setembro, a PF apreendeu R$ 600 mil em espécie, sacados por um sargento da Polícia Militar supostamente a mando de Maurício Gomes. A apreensão levou ao início da Operação Camisa 7, que realizou buscas na residência de Bebeto do Choró e na sede da MK Transportes. Durante a ação, Bebeto tentou se desfazer de seu celular, arremessando-o em um espelho d’água. O aparelho foi recuperado, mas o prefeito eleito se recusou a fornecer a senha.

Na sede da MK, os agentes encontraram uma máquina contadora de dinheiro e sacolas, reforçando as suspeitas de movimentação de valores em espécie. A PF segue analisando os contratos firmados pela empresa em vários municípios cearenses.

 

Contratos milionários e suspeitas de fraude

De acordo com o levantamento da PF, a MK Transportes firmou 131 contratos com 47 prefeituras cearenses, somando R$ 319 milhões. Os municípios que mais contrataram a empresa foram Pacajus, Camocim e Canindé. As contratações milionárias, segundo os investigadores, indicam um padrão de fraude em licitações, com direcionamento de recursos públicos para empresas controladas pelo grupo de Bebeto.

 

Desdobramentos e próximos passos

Com o caso agora sob a alçada do STF, as investigações devem se aprofundar em busca de mais evidências sobre o envolvimento de agentes públicos e políticos no esquema. A PF também continua monitorando outras empresas suspeitas e levantando detalhes sobre as movimentações financeiras realizadas durante o período eleitoral.

Até o momento, os envolvidos não se manifestaram publicamente sobre as acusações.

 

SIGA-NOS NO INSTRAGRAM E FIQUE POR DENTRO DAS ÚLTIMAS NOTICIAS

 

 

 

Fonte: Blog do Fausto Macedo, do Estadão

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *