Brasil atinge menor número de desempregados desde 2015 com recordes no trabalho
O Brasil registrou em setembro o menor número de desempregados desde 2015, com cerca de 7 milhões de pessoas em busca de emprego, uma redução de 7,2% em relação ao trimestre anterior e de 15,8% em comparação com o mesmo período de 2023, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). No mesmo levantamento, o número de pessoas ocupadas alcançou um recorde histórico, com 103 milhões de trabalhadores empregados, o que representa 58,4% da população em idade para trabalhar no país, o maior percentual registrado para o período.
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Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas do IBGE, explica que a expansão do mercado de trabalho se deve, sobretudo, ao aumento no consumo das famílias desde o segundo semestre de 2022. A recuperação que antes estava concentrada em setores como a indústria e serviços, agora abrange várias áreas, incluindo comércio e serviços presenciais.
Informalidade e Subutilização
Embora o emprego formal tenha crescido, a informalidade segue em destaque, com 38,8% dos trabalhadores ocupados — o equivalente a 40 milhões de pessoas. Esse grupo inclui trabalhadores sem carteira assinada, que somam 14,3 milhões, e aqueles que atuam por conta própria, totalizando 25,4 milhões. O aumento na taxa de informalidade em comparação ao ano passado (39,1%) reflete também uma busca por alternativas de renda, diante da lenta recuperação econômica.
Além disso, 18,2 milhões de pessoas encontram-se subutilizadas, isto é, trabalhadores que estão desocupados, subempregados (não conseguem trabalhar a quantidade desejada de horas) ou fora da força de trabalho, mas disponíveis. Esse contingente também recuou, com queda de 4,4% em relação ao trimestre anterior e de 9,8% em comparação com 2023.
Outro dado relevante é o da população desalentada, formada por 3,1 milhões de brasileiros que, embora desejassem um emprego, deixaram de procurar oportunidades por diversos motivos, como falta de qualificação ou descrença nas chances de conseguir uma vaga. Esse grupo teve uma queda de 11,3% em relação ao ano passado.
Destaques da PNAD:
- Taxa de desocupação: 6,4%
- População ocupada: 103 milhões
- População fora da força de trabalho: 66,4 milhões
- Empregados com carteira assinada: 39 milhões
- Trabalhadores informais: 40 milhões
Empregos Formais Batem Recorde
O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado chegou a 39 milhões, crescendo 5,3% em relação ao ano anterior. Já os trabalhadores sem carteira somaram 14,3 milhões, um aumento de 8,1% em relação ao ano passado. Esse crescimento reforça a presença significativa do setor privado na recuperação do mercado de trabalho e a necessidade de políticas que incentivem a formalização, aumentando a segurança e estabilidade para esses profissionais.
Rendimento Médio e Massa Salarial
No que se refere à renda, o rendimento médio do trabalhador brasileiro foi estimado em R$ 3.227 no trimestre, valor que permanece estável frente ao período anterior e representa uma leve alta anual de 3,7%. A massa de rendimentos alcançou R$ 327,7 bilhões, consolidando um crescimento anual de 7,2%. Esses números refletem a expansão do mercado de trabalho e o aumento da renda em circulação, que pode ser atribuído ao aquecimento econômico e ao aumento do consumo interno.

Cenário Promissor e Perspectivas
Com o mercado de trabalho mostrando sinais de recuperação sólida, especialistas apontam para um cenário positivo, desde que a economia mantenha uma trajetória de crescimento e investimentos sejam feitos na capacitação e formalização dos trabalhadores. A estabilidade na taxa de desocupação e o crescimento da massa salarial sugerem que o consumo das famílias continuará a impulsionar a economia, mas o desafio de reduzir a informalidade persiste, exigindo medidas que facilitem a inserção no mercado formal.
Diante desse quadro, o Brasil dá passos consistentes em direção à recuperação do mercado de trabalho, mas permanece atento à necessidade de ampliar políticas de inclusão e qualificação profissional, visando consolidar os avanços obtidos.
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Fonte: G1




