Jaguaribe-Apodi projeta R$ 250 milhões em produção agropecuária para 2026
O Perímetro Irrigado Jaguaribe-Apodi, em Limoeiro do Norte, deve movimentar R$ 250 milhões em produção agropecuária em 2026. A projeção da Federação das Associações do Perímetro Irrigado Jaguaribe-Apodi (Fapija) considera o desempenho de culturas como banana e soja, além da presença crescente da pitaia na produção agrícola da Chapada do Apodi.
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A estimativa foi apresentada durante a ExpoAgro Vale do Jaguaribe 2026, realizada de 14 a 16 de outubro, em Limoeiro do Norte. Segundo Luiz Felipe, gerente executivo da federação, a soja é um dos destaques deste ano, com resultados favorecidos pelo cultivo de uma variedade mais produtiva e pela ampliação do fornecimento de sementes para plantio em outros estados.
A produção de banana também deve contribuir para o resultado, com perspectiva de estabilidade ou crescimento moderado. Parte desse desempenho está relacionada às áreas plantadas em 2025, que começam a gerar colheitas neste ano. Para a pitaia, a expectativa é de manutenção dos níveis de produção.
Culturas movimentaram milhões em 2025
Os números da Fapija referentes a 2025 mostram a importância das diferentes culturas para a economia do perímetro irrigado. Naquele ano, as culturas perenes produziram 40,1 milhões de quilos e geraram R$ 96,6 milhões. Já as culturas temporárias alcançaram 102,1 milhões de quilos, com movimentação de R$ 53,3 milhões.
A federação administra aproximadamente 40% da produção dos perímetros irrigados pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) no Ceará e cerca de 20% do total nacional, conforme os dados apresentados pelo gerente executivo.
O Ceará possui 14 perímetros irrigados vinculados ao Dnocs, que somam 52,9 mil hectares irrigáveis. No Brasil, são 37 unidades, segundo o Relatório de Gestão do órgão referente a 2025.
Implantado a partir de 1987, o Perímetro Irrigado Jaguaribe-Apodi está localizado na Chapada do Apodi, em Limoeiro do Norte. Desde 1989, a Fapija responde pela gestão e manutenção da infraestrutura de uso comum da área.
Disponibilidade de água preocupa produtores
Apesar da perspectiva de crescimento econômico, a oferta de água é um dos fatores que podem influenciar o futuro da produção. Luiz Felipe alerta para os possíveis efeitos de eventos climáticos extremos, incluindo o El Niño, sobre as chuvas e a recarga dos reservatórios cearenses.
A atividade agrícola do Jaguaribe-Apodi depende da água liberada pelo Açude Castanhão, que chega às áreas irrigadas por meio do rio Jaguaribe. Uma redução significativa no volume armazenado poderá levar à revisão das vazões destinadas aos produtores.
De acordo com o gerente, caso o Castanhão alcance entre 20% e 21% de sua capacidade, os Comitês das Bacias Hidrográficas do Salgado e do Jaguaribe poderão avaliar, durante a reunião de alocação de água prevista para julho de 2027, uma possível redução da vazão do rio.
Se a medida for necessária, os agricultores poderão ter de diminuir as áreas cultivadas, com reflexos sobre a produção e a atividade econômica regional.
Ceará prevê aumento na produção de frutas
O cenário do Jaguaribe-Apodi acompanha uma perspectiva positiva para a fruticultura cearense. De acordo com o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a safra de frutas frescas do Ceará deve atingir 2.062.162 toneladas em 2026.
O volume representa crescimento de 12,89% em comparação com 2025, quando foram registradas 1.826.720 toneladas. Entre os 21 produtos analisados pelo levantamento, 12 apresentam expectativa de aumento na produção, enquanto nove têm previsão de queda.
Além de abastecer o mercado interno, a fruticultura tem peso nas exportações do Ceará. O estado ocupa a quinta posição entre os maiores exportadores brasileiros de frutas frescas, respondendo por mais de 11% das vendas nacionais do segmento ao mercado internacional.
A projeção de R$ 250 milhões para o Jaguaribe-Apodi reforça a importância da agricultura irrigada para a economia do Vale do Jaguaribe, ao mesmo tempo que evidencia a necessidade de garantir disponibilidade hídrica para sustentar a produção nos próximos anos.
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Fonte: O Povo


