Ceará aposta em algodão de fibra longa para impulsionar o agronegócio no Vale do Jaguaribe
Projeto prevê expansão do cultivo para 100 municípios a partir de janeiro de 2027, com sementes selecionadas e integração entre campo e indústria têxtil
O Vale do Jaguaribe está entre as regiões prioritárias do Ceará para a retomada da produção de algodão, atividade que marcou a história econômica do Estado. A nova fase do cultivo aposta em variedades de fibra longa, com qualidade validada em testes da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e potencial para competir no mercado de algodão de alto padrão, como o egípcio e o pima peruano.
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A iniciativa integra a estratégia do Governo do Ceará para ampliar a produção agrícola, fortalecer a indústria têxtil e gerar oportunidades de trabalho no interior. A distribuição de sementes selecionadas e a abertura de uma nova janela de plantio estão previstas para janeiro de 2027, com participação de produtores de 100 municípios cearenses.
Segundo o secretário executivo do Agronegócio da Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE), Silvio Carlos, as condições de luminosidade do Ceará favorecem o desenvolvimento de fibras de qualidade, adequadas à fabricação de tecidos finos, como os utilizados na produção de camisas.
O Governo do Estado investiu R$ 5 milhões na aquisição de sementes selecionadas para apoiar a expansão da cultura. A proposta é recuperar a produção em escala comercial e garantir matéria-prima para a indústria têxtil e de confecção instalada no Ceará.
Vale do Jaguaribe entre as regiões prioritárias
A ampliação do projeto contempla, além do Vale do Jaguaribe, o Sertão Central, os Inhamuns, o Sertão de Crateús, o Centro-Sul e o Cariri. No início de 2026, um projeto-piloto foi desenvolvido em 18 municípios, servindo de base para a expansão da iniciativa.
Para o secretário do Desenvolvimento Econômico, Fábio Feijó, a retomada representa uma oportunidade de recuperar uma atividade que já teve grande importância para a economia cearense. Conhecido historicamente como “ouro branco”, o algodão perdeu espaço no Estado após a disseminação do bicudo-algodoeiro, praga que comprometeu as lavouras no início da década de 1990.
A nova etapa utiliza pesquisas da Embrapa e sementes de algodão herbáceo de alto rendimento, com o objetivo de melhorar a produtividade e oferecer condições mais favoráveis aos agricultores.
De acordo com Silvio Carlos, o algodão também apresenta vantagens relacionadas ao consumo de água e ao retorno financeiro, fatores que podem estimular os produtores a investir na cultura. A viabilidade econômica, no entanto, depende das condições de cultivo, da produtividade e dos preços de comercialização.
Integração entre agricultura e indústria
Além de ampliar a produção no campo, o projeto busca fortalecer toda a cadeia produtiva, desde o plantio até a fabricação de roupas. Em parceria com a Vicunha Têxtil, o Governo do Ceará prepara o programa “Do Campo ao Guarda-Roupa”, que pretende aproximar produtores rurais, indústria e trabalhadores qualificados.
A iniciativa conta com a participação do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) e da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Ceará (Fecomércio). A proposta é estimular a instalação de pequenas unidades de produção de vestuário no interior, complementando a atuação das grandes empresas do setor.
Para o Vale do Jaguaribe, a estratégia abre perspectivas de diversificação da atividade agrícola e de geração de renda, além da possibilidade de atrair novos investimentos ligados ao beneficiamento da matéria-prima e à confecção. Os resultados dependerão da adesão dos agricultores, da estrutura de comercialização e da efetiva implantação das etapas industriais na região.
Mercado exige competitividade e inovação
O projeto foi apresentado durante o Congresso Internacional 2026 da Indústria Têxtil, realizado no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza.
Na ocasião, o diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel, destacou a relevância do Ceará no cenário nacional, mas alertou para os desafios enfrentados pelo setor diante da concorrência das importações e das mudanças no consumo.
Nesse contexto, o fortalecimento da produção local de algodão pode contribuir para ampliar a oferta de matéria-prima e integrar diferentes etapas da cadeia produtiva dentro do próprio Estado.
A expectativa do Governo do Ceará é que a retomada do cultivo, associada à tecnologia agrícola e à atração de investimentos industriais, ajude a recuperar uma atividade tradicional e crie novas oportunidades econômicas em regiões como o Vale do Jaguaribe.
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Fonte: DN

