A saudade de um homem que transformou vidas com trabalho, cultura e amizade
Hoje, 2 de julho de 2026. Para mim e para muita gente, é uma data impossível de esquecer. A saudade permanece intensa. Nesta data, Expedito Araújo estaria completando 83 anos.
Funcionário de carreira do Banco do Nordeste, exerceu a função de gerente nas agências de Lavras da Mangabeira, Itapipoca e Limoeiro do Norte, onde encerrou sua trajetória na instituição ao se aposentar. Mas nunca vestiu o pijama. Sentia-se forte, saudável e disposto a continuar servindo à sociedade.
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Desde muito jovem demonstrava um espírito inquieto e empreendedor. Recordo-me dele ainda adolescente, construindo carrinhos de madeira. Alguns vendia; com outros, brincávamos na estradinha que preparávamos em nosso quintal, com cancelas e pontes. Mais tarde, tornou-se professor particular, e eu tive o privilégio de ser um de seus alunos.
Líder nato, característica que se confirmou no seminário, na vida profissional e na atuação comunitária. Após a aposentadoria, em Limoeiro do Norte, ao lado de amigos idealistas, fundou a Academia Limoeirense de Letras. Também ingressou no ramo da construção civil, acompanhando pessoalmente a execução de casas e edifícios, da planta à entrega das chaves. Muitas das plantas eram desenhadas por ele próprio e posteriormente aprovadas e rubricadas por um arquiteto.
No Rotary Club International alcançou um dos mais altos cargos, tornando-se Governador do Distrito (Ceará, Piauí e Maranhão). Posteriormente, foi agraciado com o título de Acadêmico Honorário da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza.
Participou de diversas instituições culturais e congêneres, entre elas a Associação de Jornalistas do Interior do Ceará, onde escreveu centenas de crônicas publicadas no jornal Folha do Vale, de Limoeiro do Norte.
Na literatura, deixou como legado o livro De Amor e Paixão, um clássico da poesia lírica, além de diversos textos, cordéis e do poema satírico O Gato e o Rato. Entre suas obras também está Nós e o Nosso Itabepuçu, antologia de crônicas, contos e poemas escrita em parceria com os irmãos Olímpio Araújo e Murilo Araújo, o primo Cristóvão Neto e o conterrâneo Assis Cavalcante.

De volta às suas origens e ao convívio dos familiares e conterrâneos, participou da fundação da Academia de Letras e Artes de Itabepuçu (ALAI), sendo homenageado, ao lado de seus dois irmãos, com a Comenda Tabelião José Henrique de Araújo (seu pai), em reconhecimento por terem sido os idealizadores da instituição.
Partiu há cerca de nove meses. Deixou a marca de um homem íntegro, cidadão exemplar, intelectual brilhante e amigo inesquecível. Não apenas pelo muito que realizou, mas, sobretudo, pelo caráter, pelos valores morais, cívicos, sociais e espirituais que cultivou ao longo da vida.
Filhos, netos, esposa, irmãos, sobrinhos, cunhados, sogra, primos, confrades, confreiras, amigos e todos aqueles que tiveram o privilégio de com ele conviver dizem, em uníssono: “Saudades, sim; tristeza, não”.
Seu jeito simples de sorrir e conquistar amizades, sua vida dedicada ao trabalho e ao serviço, o amor à paz e à justiça social, sua inteligência admirável e sua generosidade continuam vivos na memória de todos nós.
Você permanece conosco, querido Dito, Expedito, Dr. Expedito Araújo, poeta… e muito, muito mais.
Para você, mano, esta homenagem ainda está muito aquém do que merece.
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Por: Olímpio Araújo


