Ceará soma 3,76 milhões inadimplentes e desafia alcance do Desenrola 2.0

Mais da metade da população adulta do Ceará enfrenta dificuldades para manter as contas em dia, segundo dados recentes de março de 2026. Ao todo, 3,76 milhões de consumidores estão inadimplentes, o equivalente a 53,27% dos adultos no Estado. Apesar do lançamento do programa federal Desenrola 2.0, parte significativa dessas dívidas segue fora do alcance da renegociação.

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As contas de serviços essenciais, como água e energia elétrica, concentram 32,1% das pendências e não estão incluídas no programa. Em contrapartida, cerca de 65% das dívidas podem ser negociadas, com destaque para débitos com bancos e cartões (24,5%), financeiras (18,7%) e serviços diversos (8,1%).

Especialistas classificam o cenário como “inadimplência de sobrevivência”, indicando que o endividamento não decorre de consumo supérfluo, mas da tentativa de manter despesas básicas. Esse contexto impacta diretamente a economia local, já que famílias com contas atrasadas reduzem o consumo em setores como alimentação e saúde.

O Desenrola 2.0 permite renegociar dívidas como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal, oferecendo descontos que podem chegar a 90%, juros limitados a 1,99% ao mês e parcelamento em até 48 vezes. O programa também prevê o uso parcial do FGTS para quitação e a retirada do nome de negativados com débitos de até R$ 100.

Podem aderir pessoas com renda de até cinco salários mínimos e dívidas contraídas até janeiro de 2026, com atraso entre 90 dias e dois anos. A adesão deve ser feita diretamente com bancos ou instituições financeiras.

 

Perfil dos inadimplentes

A maior concentração de inadimplência está entre pessoas de 26 a 40 anos, que representam 35% do total. Em seguida aparecem os consumidores entre 41 e 60 anos. Diferentemente do cenário nacional, os idosos têm menor participação no Ceará, com 19,2%.

As mulheres são maioria entre os negativados, somando 53,7%. O dado reflete o papel predominante feminino na chefia de famílias, o que frequentemente leva à priorização de despesas essenciais em detrimento de outras obrigações financeiras.

 

Crédito e risco de endividamento

A ampliação do acesso ao crédito, especialmente após a pandemia, também contribuiu para o aumento da inadimplência. O uso recorrente do crédito rotativo do cartão, muitas vezes como complemento de renda, eleva o risco de endividamento prolongado.

Especialistas alertam que o limite do cartão não deve ser encarado como renda extra e recomendam evitar o pagamento mínimo da fatura, além de manter o comprometimento mensal abaixo de 30% da renda.

 

Diferença entre endividado e inadimplente

Ter dívidas não significa necessariamente estar inadimplente. O endividado possui compromissos a vencer, enquanto o inadimplente já deixou de pagar e teve restrições no CPF. No Brasil, 82,8 milhões de pessoas estão inadimplentes, com média de quatro dívidas por consumidor.

 

Novidades do programa

A nova versão do Desenrola amplia o alcance ao incluir diferentes públicos, como famílias, estudantes e pequenos empreendedores. Entre as novidades estão o uso do FGTS e o bloqueio temporário de acesso a plataformas de apostas para participantes do programa.

A negociação também pode ser feita por meio da plataforma Serasa Limpa Nome, onde consumidores acessam ofertas, escolhem condições de pagamento e regularizam sua situação em poucos passos.

 

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Fonte: DN

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