Contrabando de canetas emagrecedoras preocupa e leva Anvisa a reforçar fiscalização

O aumento do uso de canetas emagrecedoras contrabandeadas, especialmente vindas do Paraguai, tem acendido um alerta sanitário no Brasil. Medicamentos como Ozempic e Mounjaro, cada vez mais populares para perda de peso, vêm sendo adquiridos sem receita médica e sem garantia de procedência, o que eleva os riscos à saúde.

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O alto custo desses medicamentos no Brasil tem levado muitos consumidores a buscar alternativas mais baratas no Paraguai, onde a venda ocorre, em alguns casos, sem controle rigoroso. No entanto, especialistas alertam que a economia pode resultar em consequências graves, já que substâncias como semaglutida e tirzepatida exigem armazenamento adequado, controle de temperatura e acompanhamento médico.

Segundo o médico pós-graduado em nutrologia Luiz Augusto Junior, o uso motivado apenas por estética, especialmente entre mulheres jovens e adolescentes, tem aumentado significativamente. Além dos impactos emocionais, o uso sem indicação clínica pode provocar efeitos colaterais como náuseas intensas, vômitos, diarreia e indigestão severa. Em casos mais graves, há risco de desidratação, insuficiência renal, pancreatite e problemas na vesícula biliar.

O perigo se torna ainda maior quando o produto é contrabandeado, pois não há garantia de pureza, dosagem correta ou conservação adequada. Isso pode comprometer a eficácia do medicamento ou provocar reações adversas severas.

Diante do crescimento do consumo irregular, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária intensificou a fiscalização e anunciou novas medidas para controlar a importação e manipulação desses medicamentos. Somente em 2026, a agência realizou 11 inspeções, resultando na interdição de oito empresas por problemas técnicos e falhas no controle de qualidade.

Outro dado que chamou atenção da Anvisa foi a importação de 130 quilos de insumos farmacêuticos no segundo semestre de 2025, quantidade suficiente para produzir cerca de 25 milhões de doses, volume considerado incompatível com a demanda regular do país.

A agência também identificou riscos como falhas na esterilização, ausência de rastreabilidade dos insumos, produção sem receita individualizada e venda de produtos sem registro. Desde o início do ano, dez medidas de proibição já foram adotadas para barrar produtos irregulares.

Além da fiscalização, a Anvisa também lançou um plano estratégico que inclui reforço regulatório, cooperação com órgãos internacionais, campanhas de conscientização e priorização do registro de novos medicamentos para ampliar a oferta regular no mercado.

Especialistas reforçam que a obesidade é uma doença e deve ser tratada com acompanhamento profissional. O uso das canetas pode ser indicado em alguns casos, mas deve fazer parte de um plano estruturado com avaliação médica, exames regulares, alimentação equilibrada e atividade física.

A orientação das autoridades sanitárias é clara: evitar a compra de medicamentos sem procedência e sempre buscar farmácias regulamentadas, garantindo segurança e eficácia no tratamento.

 

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Fonte: Agencia Brasil

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