Repentista Zé Cardoso celebra 50 anos de carreira e mantém tradição da viola
Natural da cidade de Encanto, no Rio Grande do Norte, o poeta e repentista Zé Cardoso descobriu ainda na infância a paixão pela música. Desde cedo, alimentava o sonho de comprar uma sanfona e se tornar sanfoneiro, influenciado pelos grandes nomes do forró da época, cujas músicas aprendia com facilidade.
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Aos 15 anos, após a morte do pai, Zé Cardoso percebeu que não teria condições financeiras de adquirir o instrumento e decidiu abandonar o sonho de ser sanfoneiro. Dois anos depois, aos 17, acompanhando um amigo, assistiu à primeira cantoria de viola. O contato com o improviso e a poesia despertou um novo interesse. “Isso também sei fazer”, recorda o artista sobre o momento que mudou sua trajetória.
A partir dessa experiência, passou a frequentar apresentações de cantadores em sua cidade. Com o tempo, recebeu convite do poeta Antônio Maia para participar de uma cantoria, incentivo decisivo para ingressar no universo do repente. Zé Cardoso também destaca a importância de nomes como Miguel Herculano, João Venevides, João Bezerra e Vicente Romildo, que contribuíram para sua formação artística.
Ao atingir a maioridade, seguiu para o Sul do país, acompanhando o fluxo de jovens que buscavam oportunidades em São Paulo. Na capital paulista, trabalhou como tecelão por sete anos, até decidir retornar ao Rio Grande do Norte para ficar mais próximo da família.
De volta à comunidade de Saco do Encanto, em Encanto (RN), Zé Cardoso passou a se dedicar integralmente à cantoria. Posteriormente, mudou-se para Limoeiro do Norte, no Ceará, onde participou do programa “Violas e Violeiros”, apresentado pelos repentistas Antônio Nunes de França e Juvenal Evangelista, transmitido pela Rádio Vale do Jaguaribe. A experiência possibilitou contato com renomados violeiros e abriu portas para sua participação em festivais da região.
Ao longo de cinco décadas de carreira, Zé Cardoso acumulou centenas de troféus, a maioria de primeiro lugar. Entre as conquistas, destaca-se um festival realizado em Campina Grande (PB), em uma disputa entre estados, quando enfrentou os repentistas Edivaldo Zuzu, Sebastião Dias e Rogério Menezes, sagrando-se vencedor e recebendo aplausos do público e da organização.
Aos 75 anos e com 50 anos dedicados à cantoria de viola, Zé Cardoso afirma sentir-se realizado pela trajetória construída. O poeta agradece a Deus pelo dom recebido e celebra o reconhecimento do público, mantendo viva a tradição do repente nordestino e a força da poesia improvisada.
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Por Nilo Leite
