Salários de entrada despencam no Ceará e reduções chegam a 26,8% em 2025

Os salários iniciais de diversas profissões registraram queda no Ceará em 2025, na comparação com o ano anterior. As reduções variam de 6,5% a 26,8% e, em alguns casos, superam R$ 850, segundo levantamento elaborado a partir de dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

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A maior diminuição foi observada na função de técnico de vendas. A remuneração média de entrada caiu 26,81%, passando de R$ 3.180,68 em 2024 para R$ 2.327,98 em 2025, uma diferença de R$ 852,70. Logo atrás aparece o cargo de escriturário de banco, que teve redução de 22,72%, com salário inicial recuando de R$ 3.722,88 para R$ 2.877,13, perda de R$ 845,75.

Também registraram retrações relevantes as ocupações de auxiliar de serviços de importação e exportação (20,73%), operador de negócios (13,52%) e economista financeiro (12,35%). O cargo de supervisor de manutenção elétrica de alta tensão industrial apresentou queda de 10,57%.

Mesmo profissões tradicionalmente mais valorizadas tiveram recuos. O salário inicial de médico clínico, por exemplo, caiu 6,5%, passando de R$ 11.292,65 para R$ 10.558,21, redução de R$ 734,44, a terceira maior em valor absoluto.

Outras funções impactadas foram enfermeiro, técnico em secretariado e comerciante varejista, todas com diminuições próximas ou superiores a 9%.

 

Fatores por trás das quedas

De acordo com o presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), Wandemberg Almeida, a redução dos salários iniciais está ligada a mudanças estruturais no mercado de trabalho. Entre os principais fatores estão:

  • Revisão de custos pelas empresas após períodos de crescimento econômico;
  • Ampliação da oferta de profissionais qualificados, impulsionada pela expansão do ensino superior;
  • Avanço da automação, digitalização e inteligência artificial;
  • Crescimento de modelos flexíveis de contratação, como pejotização e informalidade.

Segundo o economista, as áreas administrativa, comercial e financeira estão entre as mais afetadas, especialmente funções ligadas a vendas, operações e rotinas de escritório, que vêm sendo substituídas ou transformadas pela tecnologia.

O setor de serviços e o comércio varejista também sofrem impacto, principalmente pela informalidade e terceirização. Além disso, áreas historicamente mais estáveis, como enfermagem, economia e engenharia, começam a apresentar retrações, ainda que de forma mais moderada.

O especialista avalia que há uma mudança no perfil de contratação, com novos profissionais ingressando no mercado com remunerações menores e substituição de trabalhadores mais experientes por perfis com menor custo.

 

Perspectivas para 2026

Apesar do cenário de queda, a expectativa é que os salários iniciais não continuem diminuindo no mesmo ritmo. Ainda assim, a tendência é de perda real em áreas com maior saturação de profissionais.

Para 2026, o mercado deve valorizar cada vez mais profissionais com especialização técnica, principalmente nas áreas de tecnologia, análise de dados e gestão aplicada. Modelos de trabalho mais flexíveis também devem continuar crescendo, o que pode manter a pressão sobre as remunerações de entrada.

 

Metodologia

O levantamento considerou apenas profissões com pelo menos 100 trabalhadores em cada ano, evitando distorções estatísticas. Também foram removidos valores considerados fora do padrão, como registros muito acima da média da categoria, que poderiam inflar artificialmente os resultados.

Com isso, o estudo buscou refletir com maior precisão a realidade dos salários iniciais no mercado de trabalho cearense entre 2024 e 2025.

 

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Fonte: DN

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