PF aponta suposto esquema de emendas no Ceará com desvio milionário de verbas
Um relatório da Polícia Federal enviado ao Supremo Tribunal Federal descreve a existência de um suposto esquema de comercialização de emendas parlamentares no Ceará, que teria movimentado centenas de milhões de reais ao longo de cinco anos. Segundo a investigação, o grupo seria liderado pelo deputado federal Junior Mano, que nega qualquer envolvimento irregular.
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De acordo com os investigadores, o parlamentar foi formalmente indiciado por crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção eleitoral e falsidade ideológica. A defesa sustenta que as acusações carecem de provas e afirma que o deputado é alvo de exposição indevida com motivações políticas.
A apuração indica que, entre 2020 e 2025, o esquema teria movimentado cerca de R$ 800 milhões em recursos públicos. Parte desse montante teria sido desviada por meio de acordos informais que previam a devolução de uma porcentagem dos valores destinados a municípios. Somente nos anos mais recentes analisados, empresas associadas ao grupo teriam registrado receitas superiores a R$ 455 milhões, com indícios de caixa paralelo na casa de dezenas de milhões.
Mensagens interceptadas reforçam as suspeitas ao apontarem a cobrança de uma espécie de comissão, tratada internamente como “imposto”, que variaria entre 10% e 15% dos repasses. Para a polícia, esse padrão sugere a existência de um mecanismo sistemático de desvio de verbas públicas.
A investigação teve início após denúncia feita pela ex-prefeita de Canindé, que relatou ter sofrido pressões e revelou a dinâmica de liberação de emendas condicionada à devolução de parte dos recursos. A partir daí, a PF identificou a atuação conjunta do deputado com o empresário Carlos Alberto Queiroz Pereira, apontado como peça central no funcionamento do esquema.
Conforme o relatório, o grupo operava como uma espécie de “mercado de emendas”, utilizando instrumentos com menor nível de fiscalização, como transferências especiais e verbas de execução pouco transparente. Prefeituras aliadas seriam beneficiadas com recursos, enquanto contratos públicos seriam direcionados a empresas vinculadas à organização.
Outro ponto destacado pela PF envolve tentativas de acelerar a liberação dos recursos. Há indícios de pressão sobre funcionários da Caixa Econômica Federal para agilizar etapas burocráticas e autorizar pagamentos relacionados a obras e serviços.
Os investigadores também afirmam que o grupo buscava ampliar sua influência política por meio do controle indireto de administrações municipais. A estratégia envolveria financiar campanhas e, posteriormente, direcionar contratos públicos em áreas como pavimentação e transporte escolar.
Em nota, Junior Mano reafirmou inocência e criticou o que chamou de conclusões “genéricas” da investigação. Ele também questionou o vazamento de informações sigilosas em meio ao período pré-eleitoral. Já a defesa de Bebeto do Choró informou que não comentará o caso fora do âmbito judicial.
O caso segue sob análise do STF e pode ter desdobramentos no cenário político do Ceará nos próximos meses.
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Fonte: UOL

