Estudantes do IFCE Limoeiro criam dispositivo discreto para denunciar violência
Três estudantes do campus de Limoeiro do Norte do Instituto Federal do Ceará (IFCE) estão desenvolvendo uma tecnologia que pode ajudar mulheres em situação de risco a pedir socorro sem chamar atenção. O projeto foi criado por Kauana Chaves, Sabrina Andrade e Ingrid Sobreira, com orientação do professor Holanda Júnior, e já foi apresentado em eventos científicos.
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A iniciativa nasceu a partir da percepção das alunas de que muitas mulheres enfrentam violência, mas não conseguem registrar denúncia por medo, dependência ou falta de acesso aos canais formais de ajuda. A partir dessa reflexão, o grupo decidiu pesquisar uma alternativa tecnológica que pudesse ser utilizada de forma rápida e discreta.
O protótipo desenvolvido pelas estudantes combina um centro de controle fixo e um pequeno dispositivo portátil semelhante a um chaveiro. O equipamento utiliza sinais infravermelhos para enviar alertas sem necessidade de uso direto do celular, o que pode ser fundamental em situações em que o agressor controla o acesso ao telefone.
Além do dispositivo físico, a equipe também criou dois aplicativos em fase de testes. Um deles permite que, ao ser acionado, o celular envie automaticamente a localização da vítima, uma mensagem de emergência e um áudio curto para contatos previamente cadastrados.

O segundo sistema funciona diretamente em computador. Utilizando a câmera do equipamento, o programa reconhece um gesto específico feito com a mão e, ao identificar o sinal, dispara mensagens de alerta, vídeos curtos e a localização da pessoa em risco.
O protótipo utiliza uma placa eletrônica de baixo custo, com baixo consumo de energia e conectividade por Wi-Fi e Bluetooth. Segundo o orientador do projeto, essas características permitem comunicação rápida com redes de monitoramento e instituições responsáveis pelo atendimento às vítimas.
Durante o desenvolvimento, um dos principais desafios foi manter o custo do dispositivo acessível. As estudantes optaram por não utilizar componentes mais caros para que a tecnologia possa ser reproduzida em larga escala e chegue a mulheres em situação de vulnerabilidade.
O projeto também prevê adaptações para diferentes realidades. Em cidades, a tecnologia pode se integrar a sistemas de monitoramento existentes. Já em áreas rurais, a proposta é trabalhar com soluções mais simples e parcerias com órgãos públicos locais.
A pesquisa ainda deve avançar com o uso de visão computacional, reduzindo a necessidade de hardware adicional. Outra etapa prevista é a incorporação de tecnologias de comunicação sem fio de longo alcance e baixo consumo energético.
Nos próximos meses, a equipe pretende realizar novos testes com participação da comunidade e dialogar com órgãos de segurança pública. A expectativa é que, futuramente, dispositivos desse tipo possam ser distribuídos por delegacias da mulher, unidades de saúde e outros equipamentos públicos.
Para as estudantes, o projeto também tem um significado pessoal. Como mulheres, elas afirmam que a iniciativa reforça o compromisso de buscar soluções que ampliem a segurança e o acesso à ajuda para outras vítimas de violência.
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Fonte: IFCE / Fotos: Diogenilson Aquino

