Três em cada quatro contratados no Ceará recebem até R$ 1.753 em 2025
Três em cada quatro trabalhadores contratados no Ceará em 2025 começaram no emprego recebendo até R$ 1.753,55. O dado corresponde a 75% das mais de 591 mil admissões registradas no Estado e tem como base informações do Ministério do Trabalho e Emprego, a partir do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
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O levantamento indica que a maior parte das vagas abertas está concentrada em setores com menor remuneração inicial, como serviços, comércio e transporte. Entre as ocupações com salários médios mais baixos na admissão está a de despachante de transporte coletivo, cuja média ficou próxima de R$ 1,1 mil no ano passado. Foram 144 contratações nessa função.
Também aparecem entre os menores salários cargos da área de atendimento, como operadores de telemarketing, com média de R$ 1.378,92, além de professores de nível médio no ensino fundamental, que ingressaram com média de R$ 1.377,36.
De modo geral, as funções com menor remuneração inicial são ocupadas por trabalhadores com ensino médio completo. No caso dos embaladores à mão, por exemplo, oito em cada dez contratados tinham esse nível de escolaridade.
Segundo Vitor Hugo Miro, professor da Universidade Federal do Ceará e pesquisador do FGV IBRE, a elevada rotatividade e a presença de jovens em início de carreira ajudam a explicar os valores mais baixos. Ele ressalta que, mesmo em ocupações que exigem formação, como na educação, os números podem refletir vínculos temporários ou estágios.
Para o pesquisador, os dados evidenciam fragilidades na valorização profissional, especialmente no ensino privado. A especialista em carreira Delania Santos avalia que o cenário confirma a predominância de postos de entrada e de menor qualificação no mercado local, além de desafios estruturais na remuneração de áreas como a educação.
Diferença chega a dez vezes
O contraste salarial no Estado é expressivo. Em 2025, a remuneração média de admissão para gerentes de projetos de tecnologia da informação alcançou R$ 11,5 mil, cerca de dez vezes o valor pago aos despachantes de transporte coletivo.
Considerando todas as admissões com jornada mínima de 20 horas semanais e salário mensal declarado, a mediana ficou em aproximadamente R$ 1.568, pouco acima do salário mínimo do ano, fixado em R$ 1.518. Isso significa que metade dos trabalhadores começou ganhando abaixo desse valor.
Para Miro, o resultado retrata um mercado segmentado, com dois polos distintos: de um lado, ocupações operacionais e de menor qualificação, com alta rotatividade e baixos salários; de outro, um grupo reduzido de funções técnicas e estratégicas, que oferecem remunerações mais elevadas.
Ele aponta que essa configuração está ligada ao perfil produtivo do Ceará, ainda concentrado em atividades intensivas em mão de obra e com menor produtividade média, ao mesmo tempo em que surgem nichos mais dinâmicos e especializados. Nesses segmentos, a disputa por profissionais qualificados leva empresas a apresentarem propostas salariais mais competitivas para atrair e reter talentos.
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Fonte: DN


