Poço perfurado em Tabuleiro do Norte pode indicar reserva de petróleo

A tentativa de garantir o abastecimento de água no semiárido cearense levou o agricultor Sidrônio Moreira a uma descoberta inesperada. Ao perfurar um poço em sua propriedade, na zona rural de Tabuleiro do Norte, ele encontrou um líquido escuro e viscoso que pode indicar a presença de petróleo no subsolo.

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A perfuração foi realizada em novembro de 2024, no Sítio Santo Estevão, a cerca de 35 quilômetros da sede municipal, após sucessivas dificuldades para manter animais e plantações devido à escassez hídrica. Para custear o serviço, o agricultor recorreu a economias próprias e a um empréstimo bancário de R$ 15 mil. As primeiras tentativas não resultaram em água, e o trabalho foi interrompido.

Meses depois, ao retomar a perfuração inicial com auxílio de familiares, foi identificado o material de coloração escura. A hipótese de se tratar de petróleo surgiu após testes preliminares orientados por um dos filhos, que já atuou em laboratório ligado ao setor de asfalto.

A análise técnica passou a contar com o apoio do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), campus local. O engenheiro químico responsável recebeu amostras e, diante das características observadas, buscou aprofundar a investigação. Segundo ele, embora a profundidade do achado seja inferior à registrada em áreas produtivas da Bacia Potiguar, os testes físico-químicos apontaram a presença de hidrocarbonetos compatíveis com petróleo.

Para ampliar a avaliação, o IFCE firmou parceria com a Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), em Mossoró (RN), onde foram examinados aspectos como densidade, viscosidade e propriedades sensoriais da substância. Os resultados reforçaram a possibilidade de se tratar de um derivado petrolífero, mas ainda não confirmam a existência de uma jazida explorável.

Diante da situação, a família foi orientada a não intervir novamente no poço. O caso foi comunicado à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), órgão responsável por regulamentar e fiscalizar a exploração de recursos minerais no país. Pela legislação brasileira, eventuais reservas pertencem à União e dependem de estudos técnicos para avaliar viabilidade econômica.

Especialistas também alertam para os riscos ambientais de perfurações sem acompanhamento adequado, especialmente quanto à possível contaminação de aquíferos em uma região já marcada pela escassez de água. Enquanto aguardam a análise dos órgãos competentes, os moradores mantêm expectativa moderada sobre o desfecho do caso.

 

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Fonte: DN
Fotos: Marcelo Andrade/IFCE.

		

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