Dengue recua no Ceará, mas Limoeiro e Tabuleiro entram no radar para 2026
O Ceará encerra 2025 com um dos cenários mais favoráveis já registrados no enfrentamento da dengue, ao mesmo tempo em que autoridades de saúde ligam o sinal de alerta para o próximo ano. Dados oficiais apontam forte queda nos casos e óbitos, mas a identificação de um sorotipo viral pouco circulante reacende a preocupação com uma possível reversão desse quadro.
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Ao longo de 2025, o Estado contabilizou apenas três mortes por dengue, o menor número em quase duas décadas. No total, cerca de 4,7 mil casos foram confirmados, caracterizando um período de transmissão muito baixa. O resultado consolida uma tendência de redução observada nos últimos anos e representa um marco para a vigilância em saúde.
Na capital, Fortaleza, não houve registro de óbitos pela doença, fato que não ocorria desde 1997. O contraste é ainda maior quando comparado a anos críticos, como 2013, 2015 e 2011, que juntos somaram dezenas de mortes e marcaram fases severas da epidemia no Estado.
Especialistas atribuem parte desse avanço ao fortalecimento da capacidade diagnóstica. Em 2025, a maioria dos casos passou a ser confirmada por exames laboratoriais, sobretudo testes moleculares, permitindo identificar precocemente o vírus e seu sorotipo. A mudança contribuiu para tratamentos mais adequados, encaminhamento rápido aos serviços de referência e melhor manejo clínico dos pacientes.
Apesar do cenário positivo, a tranquilidade é considerada frágil. Após o fim da quadra chuvosa, foi detectada a circulação do sorotipo 3 da dengue em municípios como Limoeiro do Norte, Tabuleiro do Norte e Barbalha. O vírus não tinha presença relevante no Ceará há cerca de 20 anos, o que significa que grande parte da população não possui imunidade contra ele.
A reintrodução do DENV-3 preocupa porque infecções anteriores por outros sorotipos não garantem proteção e podem, inclusive, aumentar o risco de quadros graves. Com boa parte dos cearenses já exposta aos tipos 1, 2 ou 4, o retorno do tipo 3 cria um ambiente propício para surtos mais severos.
Diante desse cenário, a Secretaria da Saúde planeja reforçar a vigilância, intensificar campanhas de alerta e ampliar estratégias de vacinação, especialmente na região do Cariri. A atenção deve ser redobrada com a chegada das chuvas entre fevereiro e maio de 2026, período em que a proliferação do mosquito transmissor tende a aumentar.
Autoridades destacam que, caso o novo sorotipo encontre altos índices de infestação do Aedes aegypti no início do próximo ano, o avanço obtido em 2025 pode ser rapidamente comprometido.
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Fonte: DN

