Inflação fecha 2025 abaixo do teto da meta e registra melhor dezembro em sete anos
O custo de vida encerrou 2025 em trajetória mais favorável para consumidores e formuladores de política econômica. A inflação oficial do país, calculada pelo IPCA, terminou o ano em 4,26%, desempenho que garantiu o indicador dentro do limite máximo da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional e marcou o resultado anual mais baixo desde 2018. As informações foram divulgadas nesta sexta-feira, 9 de janeiro, pelo IBGE.
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Somente em dezembro, os preços subiram 0,33%, um ritmo mais intenso que o observado em novembro, mas inferior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. Ainda assim, foi o menor índice para um mês de dezembro nos últimos sete anos, sinalizando um encerramento de ano mais controlado para a inflação.
O resultado anual surpreendeu positivamente ao ficar abaixo das expectativas do mercado financeiro, que projetava uma taxa levemente superior. Também representa a primeira vez, no atual governo, em que a inflação oficial se mantém integralmente dentro do intervalo de tolerância da meta, cujo centro é de 3% e o teto, de 4,5%.
Apesar do alívio no índice geral, alguns grupos de despesas pressionaram o orçamento das famílias. Habitação foi o principal vetor de alta ao longo do ano, impulsionado sobretudo pelos reajustes da energia elétrica, que variaram significativamente entre as regiões e tiveram maior peso por conta da adoção mais frequente de bandeiras tarifárias. Educação, saúde, cuidados pessoais e despesas diversas também contribuíram de forma relevante para o resultado final, respondendo juntos por cerca de dois terços da inflação acumulada.
Em contrapartida, o comportamento dos alimentos ajudou a conter o avanço dos preços. O grupo alimentação e bebidas, de maior peso no IPCA, desacelerou de forma expressiva em relação a 2024. A queda nos preços da alimentação consumida em casa foi decisiva, refletindo maior oferta de produtos ao longo do ano. Itens básicos como arroz e leite apresentaram reduções significativas, ajudando a aliviar o bolso do consumidor.
Segundo o IBGE, o desempenho de 2025 está entre os menores da série histórica iniciada após o Plano Real, figurando como o quinto melhor resultado em mais de três décadas. O instituto destaca que, enquanto os produtos alimentícios tiveram alta bem mais moderada, os itens não alimentícios e os serviços avançaram em ritmo mais acelerado, indicando uma mudança no perfil das pressões inflacionárias.
A análise regional mostra diferenças importantes. Capitais como Vitória, Porto Alegre e São Paulo registraram as maiores variações no ano, influenciadas principalmente por energia elétrica e serviços de saúde. Já Campo Grande apresentou o menor índice, beneficiada pela forte queda nos preços de alimentos como arroz, frutas e carnes.
No recorte mensal de dezembro, o grupo Transportes foi o principal responsável pela alta do IPCA, com aumentos expressivos em passagens aéreas e serviços de transporte por aplicativo. Por outro lado, Habitação exerceu impacto negativo, puxada pela redução na conta de luz, após a troca da bandeira tarifária vermelha por uma menos onerosa.
O índice também mostrou comportamento mais benigno para as famílias de menor renda. O INPC, que acompanha o custo de vida de domicílios com renda de até cinco salários mínimos, fechou 2025 em 3,90%, bem abaixo do registrado no ano anterior. Assim como no IPCA, a desaceleração dos alimentos foi determinante para esse resultado.
Com a inflação sob controle e abaixo do teto da meta, o cenário abre espaço para discussões sobre os próximos passos da política monetária, enquanto o consumidor encerra o ano com sinais concretos de alívio no custo de vida.
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