Demanda por bebidas artesanais cearenses dobra após alerta de intoxicação

A procura por bebidas artesanais produzidas no Ceará disparou na última semana, impulsionada pelo temor gerado pelos casos de intoxicação por metanol em diferentes estados do País. O Brasil já confirmou 11 ocorrências, incluindo uma morte em São Paulo, enquanto outras 11 estão em investigação. No total, 113 casos suspeitos foram notificados, com registros também em Pernambuco, Bahia e Mato Grosso.

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Mesmo sem ocorrências no Ceará, o receio de que a adulteração tenha alcance nacional levou consumidores e restaurantes a priorizarem fornecedores locais, resultando em forte aumento da demanda. A Donteresa, fabricante sediada no Eusébio, viu suas vendas dobrarem, segundo o sócio Henrique Plutarco.

“Os produtos mais procurados são justamente os que mais sofrem falsificação: vodca e gin. Sempre apresentamos certificações, autorizações e laudos para garantir a segurança”, afirmou. O portfólio da empresa inclui gin, vodca, rum envelhecido, vermute e negroni, produzidos artesanalmente em lotes de até 100 litros. Atualmente, a marca atende 47 clientes em Fortaleza e outros pontos em praias e cidades vizinhas. Além disso, adota uma política de devolução: cerca de 80% das garrafas retornam à fábrica.

A transparência na produção também impulsionou a Cachaçaria Viçosa Real, em Viçosa (CE), que registrou crescimento de 50% nos pedidos na mesma semana. “Nosso processo de fabricação é aberto à visitação, e buscamos constantemente novas qualificações. Isso tem atraído bares e restaurantes preocupados em não oferecer bebidas contaminadas”, explicou a gerente de marketing, Virllane Nogueira Bezerra.

Com o aquecimento da procura, a empresa ampliou a produção para atender distribuidores em Fortaleza, não apenas de cachaça, mas também de gin.

Apesar do movimento, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Ceará (Abrasel-CE) informou que, até o momento, não há percepção de queda na demanda por bebidas em geral, nem mudança expressiva de preferência por produtos locais. Segundo o presidente da entidade, Taiene Righetto, a recomendação é que consumidores e estabelecimentos priorizem compras de fornecedores regularizados, exigindo nota fiscal e observando rótulos e lacres para evitar riscos.

A intoxicação por metanol representa grave ameaça à saúde. A substância, altamente inflamável, pode causar cegueira e até morte mesmo em pequenas doses. Entre os sintomas estão visão turva, perda da visão, náuseas, vômitos, dores abdominais e sudorese.

Em casos suspeitos, é essencial procurar atendimento de emergência e contatar os canais de apoio:

  • Disque-Intoxicação da Anvisa: 0800 722 6001
  • Ciatox Ceará: (85) 3255-5012 / 3255-5050 | WhatsApp: (85) 98439-7494
  • Centro de Controle de Intoxicações de São Paulo (CCI): (11) 5012-5311 ou 0800-771-3733

 

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Fonte: DN

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