Ruas e redes derrotam Câmara e garantem isenção de IR até R$ 5 mil
As ruas e as redes sociais venceram a resistência dos setores mais reacionários da Câmara dos Deputados e conquistaram uma das maiores mudanças recentes no sistema tributário brasileiro. Na noite de terça-feira, 1º de outubro, os parlamentares aprovaram, por unanimidade (493 votos a favor e nenhum contra), a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais.
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A medida, uma das principais promessas de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, beneficiará diretamente mais de 26,6 milhões de brasileiros, cerca de 65% dos declarantes, e agora segue para análise no Senado.
A compensação virá de uma elevação da tributação dos mais ricos. A cobrança começará para quem ganha a partir de R$ 50 mil mensais e avançará progressivamente até alcançar rendas acima de R$ 100 mil por mês, com alíquota de 10%. Segundo a Receita Federal, apenas 141,4 mil pessoas com rendimentos anuais acima de R$ 600 mil serão afetadas.
Na prática, a mudança representa um alívio imediato para milhões de trabalhadores. Hoje, quem recebe R$ 5 mil paga R$ 335,15 por mês de imposto, algo em torno de R$ 4,4 mil anuais. Com a nova regra, esse valor volta para o bolso do contribuinte. Exemplos já simulados pela Receita mostram que uma professora com salário de R$ 4.867,77, que paga atualmente R$ 305,40 mensais, passará a ser isenta, economizando quase R$ 4 mil por ano.
Ainda assim, especialistas lembram que a vitória é apenas um passo inicial rumo a uma justiça tributária real. O Brasil segue entre os países mais desiguais em carga fiscal, com a classe média historicamente sobrecarregada e os super-ricos ainda pouco tributados. “Está longe de ser suficiente. Foi o primeiro passo, o primeiríssimo passo”, resumem analistas.
O impacto fiscal da medida é estimado em R$ 25,8 bilhões em 2026. No entanto, a taxação sobre lucros e dividendos deve gerar uma arrecadação que garantirá uma sobra de R$ 12,7 bilhões até 2027, valor que será destinado a estados, municípios e à compensação de ajustes previstos na Reforma Tributária.
A aprovação representa um marco simbólico: a pressão popular mostrou força contra interesses conservadores no Congresso, abrindo espaço para uma nova etapa de debates sobre a redistribuição de renda no país.
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