Câmara vota isenção do IR até R$ 5 mil que pode alcançar 16 milhões de brasileiros

A Câmara dos Deputados vota nesta quarta-feira, 1º de outubro, a proposta do governo que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil mensais, medida que poderá beneficiar cerca de 16 milhões de brasileiros. O projeto também prevê desconto parcial para rendimentos de até R$ 7.350. A mudança representa uma correção histórica na tabela, parada há anos, mas esbarra em forte resistência quando o tema é taxar os mais ricos.

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Hoje, trabalhadores que recebem salários médios pagam alíquotas que variam de 7,5% a 27,5%. Já quem ganha acima de R$ 50 mil por mês paga, em média, apenas 2,5%. Isso ocorre porque os super-ricos, que representam apenas 0,06% da população, se beneficiam de brechas legais, como a isenção sobre dividendos e mecanismos de planejamento tributário que reduzem drasticamente sua carga.

Com a nova proposta, o governo estima um custo de R$ 25,8 bilhões em 2026 para ampliar a faixa de isenção. Para compensar a perda de arrecadação, a medida cria uma alíquota adicional de até 10% sobre rendimentos anuais acima de R$ 600 mil, podendo chegar ao teto de 10% para quem ultrapassa R$ 1,2 milhão por ano. Ainda assim, setores influentes da economia têm pressionado para barrar ou flexibilizar essa taxação, garantindo que o peso continue recaindo sobre a maioria.

Na prática, um professor com salário de R$ 4.867,77 deixaria de pagar quase R$ 4 mil ao ano em imposto, e um motorista com renda de R$ 3.650 economizaria mais de R$ 1 mil. Enquanto isso, milionários seguem blindados por um sistema que favorece o acúmulo de grandes fortunas e concentra renda.

A isenção ampliada é apontada como uma das principais conquistas sociais do governo Lula, ao desonerar a classe média e trabalhadores de menor renda. No entanto, o verdadeiro desafio está em enfrentar o lobby dos super-ricos no Congresso, que fazem de tudo para evitar contribuir mais, mesmo representando uma fatia mínima da sociedade.

O resultado da votação será decisivo para mostrar até onde vai a disposição do Legislativo em corrigir uma das maiores distorções do sistema tributário brasileiro: um modelo em que quem tem menos paga mais, e quem tem muito quase não paga nada.

 

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