Estiagem destrói lavouras em Quixadá e 8 mil agricultores sofrem perdas

A seca deste ano provocou uma crise no campo em Quixadá, no Sertão Central do Ceará. O município perdeu 85% da produção de milho e feijão cultivada em 2025, o equivalente a 4.250 hectares, afetando diretamente mais de 8 mil agricultores em todos os 12 distritos. Diante da situação, a gestão municipal decretou estado de emergência por estiagem, publicado no Diário Oficial da Aprece.

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O prejuízo atinge especialmente pequenos e médios produtores, que tiveram suas plantações comprometidas pela escassez de chuvas. Em algumas localidades, como Cipó dos Anjos, os índices pluviométricos não passaram de 250 milímetros. Já em outras, como Joatama, a precipitação foi insuficiente e mal distribuída, inviabilizando o desenvolvimento das lavouras.

O secretário de Agricultura de Quixadá, Fausto Moreno, detalhou que muitos agricultores tiveram de vender parte do rebanho para reduzir perdas financeiras. Outras culturas, como o algodão, também registraram baixa produtividade, agravada pela falta de milho e feijão, que fez aves silvestres atacarem a floração da planta.

A situação da estiagem já compromete o abastecimento de água em diversas comunidades. Atualmente, 112 localidades dependem do carro-pipa para receber água potável. Poços, cisternas e reservatórios não foram suficientes para suprir a demanda.

Cerca de 2 mil agricultores do município terão acesso ao Garantia Safra, benefício do Governo Federal que prevê repasse de R$ 1.200 em casos de perda de produção. Ainda assim, boa parte dos produtores não se enquadra nos critérios de renda do programa. A prefeitura tem adotado medidas emergenciais, como transporte de forragem para alimentação de animais e perfuração de poços.

Dados da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) mostram que a quadra chuvosa em Quixadá registrou desvio negativo de 30,1% em relação à média histórica. O volume de chuvas entre fevereiro e maio foi de apenas 392,8 mm, contra os 562,3 mm esperados.

O cenário local reflete o quadro estadual: de acordo com o Monitor das Secas, 88,7% do território cearense enfrenta algum nível de seca, sendo 35,12% em estágio moderado, o mais severo desde janeiro de 2024.

 

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Fonte: DN

 

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